quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sócrates e Romário

Em tempos de Ronaldo e Pelé (dois grandes poetas quando calados), quanta falta faz o Doutor.



Pelo menos ainda nos resta um Romário.


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Caxirola Force One

Senhoras e senhores,

Mais seguro do que o Thiago Silva, mais rodado do que o Júlio César, mais rápido do que o Lucas, mais pontual do que o Dante e o Luiz Gustavo, mais colorido do que os ternos do Daniel Alves, mais aéreo do que o Jô, mais incrível do que o Hulk, mais Gol do que o Fred, mais econômico do que o Parreira e muito menos cai-cai do que o Neymar, com vocês:

CAXIROLA FORCE ONE




segunda-feira, 10 de junho de 2013

Brasil 3 x 0 França

Amistoso internacional
Domingo, 9 de junho de 2013
Arena do Grêmio (RS)

E cá estamos na esperança de ver alguma evolução na Seleção Brasileira em relação à semana passada, quando fez um bom primeiro tempo diante da inglaterra e um fraco segundo. Do time que começou jogando no Maracanã, a única alteração é o lateral-esquerdo Marcelo, que entrou no lugar do Filipe Luis. E, antes de iniciar, vale o registro do uniforme azul-calcinha-desbotada dos franceses. Esquisito. Mas passarelas à parte, vamos ao jogo.


Neymar para Fred, bola rolando. E já temos a primeira lambança aos trinta segundos. O goleirão Lloris deu um belo drible no Fred, tentou fazer o mesmo com Neymar, perdeu a bola e quase entregou o ouro. No minuto seguinte, Fred arrisca o primeiro chute.  Cinco minutos e o jogo é truncado. Aos 8, David Luiz só não recebeu amarelo porque é partida amistosa. Pontapé desnecessário no campo de ataque. Opa, a França, em duas descidas, chega trocando passes em alta velocidade e quase sai na cara do gol. Enquanto isso, Brasil erra muitos passes.

Neymar aparece pela primeira vez aos 12, mas cruza pra ninguém. Resposta de Guilavogui cabeceando com perigo. O Brasil não consegue trocar três passes no campo da França, que está fechadinha e perigosa no contragolpe. Aos 16, Thiago Silva dá um bicão lança e encontra Neymar próximo à entrada da área. Falta. Ele e Hulk confabulam, combinam algo, tramam, conspiram, enfim, vem chumbo. Na cobrança... Hora da cerveja. Como estou em Petrópolis, abro uma Petra Escura para prestigiar a economia local. Na escala Seleção Brasileira, seria uma Jefferson: segura, levemente encorpada, correta, mas não tem muito mais para evoluir.

Hulk, pela direita, corta e arrisca de fora da área, por cima. Estamos chegando aos 20 minutos. Hulk faz outra boa jogada pela direita e recebe falta. O Centauro quer jogo. Oscar aparece na defesa para ajudar na saída de bola, finalmente, pois a transição para o ataque não existe. David Luiz, que tanto insistiu, toma o amarelo por outra entrada violenta. Oscar começa a cair pelas duas pontas e cresce. Estamos nos 40 e Hulk fuzila de fora da área, quase matando um francês. Daniel Alves vai à frente pela primeira vez. PAUSA AQUI. Foi isso mesmo que vocês leram, o jaqueta 2 do Barcelona demorou mais de 40 minutos para fazer a primeira jogada na frente. PAUSA DESFEITA. Ele cruzou e Fred finalizou com perigo. Hulk e Marcelo ainda tentaram, a bola passou na frente de Neymar, na pequena área, e foi só. Fim do primeiro tempo com honesto 0 a 0.

Justiça seja feita: Hulk foi o melhor do Brasil na primeira etapa, seguido de Oscar e, beliscando um bronze, Marcelo.

Bola rolando e vem França. Vinha. Oscar rouba, toca pra Paulinho, que toca pra Fred. Ele ajeita pra Hulk e a bola vai com perigo. França responde com Cabaye, a bola desliza na rede pelo lado de fora. Agora é a vez de Payet arriscar de fora. Aos 8, Fred recebe na esquerda, invade a área e toca para Oscar, que domina e bate no canto direito do goleiro francês. O lance, na verdade, começou com roubada de bola faltosa de Luiz Gustavo, mas o juizão não viu e o Brasil está na frente: 1 a 0 em Pôrto (como diriam os locais).

Vem mais Brasil, Oscar recebe na área e desvia com perigo. Seleção aperta a marcação, mas França escapa no contra-ataque, Valbuena cruza pela direita e David Luiz quase faz contra. Júlio César salvou a dele. França no ataque. Escanteio. A bola passeia por toda a pequena área do Brasil e, por sorte, ninguém aproveita. Não pode. Público vibra aos 17, entram Fernando e Lucas. Saem Oscar e Hulk. Respectivamente? Não me lembro. Mas a pergunta é: Seleção com três volantes, pra quê? Aos 20, Brasil chegou bem pela direita e Fred quase fez o segundo. França faz três substituições e Felipão troca Fred por Jô.

Trinta minutos e o Brasil está inteiro no campo da França, mas com dificuldade para penetrar. Aos 35, Hernanes entra no lugar do Luiz Gustavo e, quatro minutos depois, o destino sorri pra ele. Em contra-ataque rápido, a bola é aberta na direita para Lucas e ele cruza para Neymar, que ajeita para Hernanes. O jaqueta 8, que havia se queimado na Seleção justamente contra os franceses, se redime batendo no canto esquerdo do goleiro Lloris. Abro uma Petra em homenagem aos justos Deuses do futebol (desculpem a heresia, sei que Eles merecem muito mais do que uma Petra, mas pela bola que o Brasil vem jogando, era o que tinha).

Aos 41, é a vez de Dante no lugar de Paulinho, passando David Luiz para o meio-campo. Truco! Vem também Bernard no lugar de Neymar, que fez a assistência para o Hernanes, e só. Falando nele, Hernanes, que nos dois jogos que entrou deu outro ritmo ofensivo à Seleção, achou bem o Bernard na esquerda, mas o futuro ex-Galo bateu mal. Aos 46, outra boa jogada de Hernanes, que tocou para Marcelo. O lateral avançou pela esquerda, cortou na diagonal e foi derrubado na área. Pênalti. Lucas, aos 47, com categoria, colocou no canto esquerdo do goleiro, fechando o placar: CT de Cotia Brasil 3 x 0 França.

Com o resultado, caem dois tabus: seca de vitórias da Seleção contra campeões do mundo, que durava desde 2009, e seca contra a França, que não era batida pelo Brasil desde 1992 (o que nos custou três Mundiais). Além disso, foi bom para dar confiança aos jogadores, certa tranquilidade para o Felipão, mas que ninguém se deixe enganar, pois o futebol, nos dois tempos, foi bem inferior ao que o Brasil apresentou na primeira etapa contra a Inglaterra, que é uma seleção muito mais forte do que essa francesa.

Aguardemos a Copa das Confederações e o retrato que ela fará do atual estágio da Seleção Brasileira, pois os três adversários da primeira fase são fortes.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Reabertura (tipo Fifa) do Maracanã

Domingo ensolarado, Estação Botafogo do metrô. Duas e dezoito no relógio tipo Fifa. Sim, ontem era tudo tipo Fifa (bem, quase tudo). Em pouco mais de vinte minutos já estávamos na Estação São Cristóvão, a oficial para quem entra pelos portões E e F do Maracanã.


Na saída, vários voluntários tipo Fifa com cartazes tipo Fifa davam as boas-vindas e indicavam o caminho para aquele que, um dia, foi o maior do mundo. Aliás, placas bilingues, voluntários bilingues e até mesmo os poucos ambulantes que conseguiram se infiltrar no caminho eram bilingues: "Latão, latão, quatro reais, big beer, big beer, four reais". Sem pestanejar, mandei um amigo, desce two, prisx.

Conforme o estádio se aproximava, impressionava a parafernália de segurança. A começar pelo material humano (para usar um termo técnico). Todas as polícias estavam ali: Militar, Civil, Metropolitana, BOPE, Choque, Montada, Montada com uniforme tipo samurai do futuro, Interpol, Scotland Yard... estava mais para UPP Maracanã do que Estádio Mário Filho.

Apesar do forte esquema, o clima era tranquilo e as pessoas se sentiam muito à vontade para fazer o que mais gostam em tempos de "fêici". O melhor exemplo foi uma loira que subia a rampa ao nosso lado acompanhada do namorado e de algumas amigas. A cada sete passos ela parava, virava para o "namô" e fazia uma pose, ora jogando a cabeça para o lado de modo que as longas madeixas interagiam com o novo Maracanã, ora abrindo os braços no melhor estilo "Jesusona Sexy #partiuMaraca". As fotos só não foram imediatamente para o Facebook porque não havia sinal no estádio. Mas nem precisava, pois também estavam lá a Gá, a Pá, a Rê, a Fá, a Pri, enfim, toda a turma da faculdade, do clube e do condomínio, numa festa tipo Fifa, bem branca e com os preços nas alturas.

Uma vez lá dentro, vi que o Maracanã está muito parecido com o Olímpico de Sydney (ANZ Stadium), o Melbourne Cricket Ground (MCG) e imagino que com todos os demais estádios do planeta que sediaram ou sediam grandes eventos tipo Fifa. Bom por um lado, mas esquisito por outro. E a maior decepção, num jogo-teste tipo Fifa, foi o fato de que continuam não vendendo cerveja, tipo FPF e FERJ. Amigos, jogo de futebol sem cerveja é o mesmo que ir à Copacabana e não parar na Adega Pérola na Siqueira Campos. Inconcebível. Não estou falando de porres homéricos, longe disso, mas daquelas duas, três merecidíssimas cervejas geladas enquanto a bola rola.

Mas a decepção não parou por aí. Dos 78.383 lugares do estádio, conseguimos a proeza de comprar ingressos para dois dos poucos assentos com ponto cego. Aliás, ponto cego nada, aquilo era um ensaio sobre a cegueira que deixaria Saramago orgulhoso de tantos instintos negativos que vieram à tona toda vez que, no segundo tempo, o Lucas pegava a bola pela direita. O máximo que eu via através do vidro nada transparente era um borrão amarelo tentando ir pra cima de um borrão vermelho. Pior! A senhora que estava à minha frente não parou um segundo de bater aqueles ensurdecedores infláveis que foram distribuídos na entrada, um misto de caxirola com vuvuzela que ela, sem a menor coordenação ou noção ritmica, ficou batendo durante os 150 minutos (90 de jogo e 60 de espera) na minha cara. In-su-por-tá-vel.

Bem, mas o relógio aponta 16 horas e a bola vai rolar. Estou no lado em que o Brasil ataca no primeiro tempo e a formação ofensiva traz Oscar aberto pela direita, Fred um pouco mais à frente, Neymar na esquerda fechando pelo meio e Hulk mais aberto na esquerda. Se é pra colocar o Oscar ali, que venha com Lucas, pois o que faltou para a Seleção foi justamente um meia para fazer a ligação com o ataque, coisa que o Oscar poderia fazer caso estivesse jogando um pouco mais recuado pelo meio.

Mesmo assim, a Seleção, empurrada pela torcida, começou bem e conseguiu criar algumas boas oportunidades. A primeira com Neymar batendo de voleio à Bebeto, aos quatro minutos. E novamente Neymar, aos cinco, arriscando para o gol quando poderia ter aberto para o Hulk. Aliás, o novo reforço do Barça, provavelmente louco para fazer o primeiro gol da reabertura do Maracanã, estava com fome de bola, mas individualista demais. O Brasil foi superior durante toda a primeira etapa, Hulk quase guardou o dele num leve desvio de calcanhar, e Fred também quase abriu o placar, após lance de Oscar. Só queria ter visto o Paulinho chegar mais ao ataque, como faz no Corinthians, pois ficou muito preso no meio-campo.

Registro do intervalo: o banheiro que eu havia ido antes estava fechado, e as filas das lanchonetes gigantescas.

No segundo tempo, Felipão voltou com o lateral-esquerdo Marcelo no lugar do fraco Filipe Luis, e Hernanes no lugar do Luiz Gustavo, o que acabou desequilibrando o time. Sem um meia de ligação, Hernanes jogou mais avançado, teve um papel importante ofensivamente, tanto que participou diretamente do gol do Fred, mas o posicionamento dele acabou dando muito espaço para a Inglaterra tomar conta do meio-campo.

Aos gritos de "Lucas, Lucas", aos 11 minutos Felipão trocou Oscar pelo atacante do PSG, provocando a ira da torcida, que vinha perseguindo e vaiando o atacante Hulk - injustamente, diga-se de passagem - e queria que ele tivesse saído. Besteira, porque no minuto seguinte, no lance do gol do Fred, foi ele quem fez a jogada pela esquerda e tocou para Hernanes estourar a bola na trave. Fred, sempre bem posicionado, aproveitou o rebote e fez Brasil 1 a 0.


A Inglaterra, que parecia jogar com o freio de mão puxado desde o começo do jogo, cresceu com o espaço deixado pelo Brasil, chegou ao empate aos 23, com chute de fora da área de Chamberlain, e virou aos 34, com Rooney, que recebeu a bola na esquerda, cortou para a diagonal e caminhou, caminhou, caminhou livremente até acertar um balaço na forquilha, também de fora da área, que pegou Júlio César adiantado. Inglaterra 2 a 1. Paulinho, que deixaria o gramado para a entrada de Fernando no minuto seguinte, finalmente foi ao ataque e acertou um belíssimo chute de primeira após jogada de Lucas que eu vi embaçada pela direita, empatando a partida aos 38. Com a substituição, Felipão reequilibrou o time e o jogo permaneceu igual até o final.

O Brasil segue sem vencer seleções de alto nível desde que Felipão assumiu (na verdade, desde 2009), mas pelo menos começa a mostrar organização em campo. Vai sofrer na Copa das Confederações com a falta de um meia-armador, já que tem somente Jadson para desempenhar essa função, ou no máximo Oscar. A sequência contra Japão, México e Itália, na primeira fase, será excelente para o Felipão observar e dar uma cara para a Seleção, assim como o amistoso contra a França. A ver.

Fechando a jornada, a saída do Maracanã foi tranquila, mas a entrada para o metrô foi caótica. Muita bagunça para chegar nas catracas e entrar nos vagões, que estavam abarrotados. Mesmo assim, tudo ocorreu com relativa segurança e, pouco antes das 18h30, já estávamos na Estação Botafogo, no não mais ensolarado domingo. Aguardemos a Copa das Confederações... Fifa.