Na saída, vários voluntários tipo Fifa com cartazes tipo Fifa davam as boas-vindas e indicavam o caminho para aquele que, um dia, foi o maior do mundo. Aliás, placas bilingues, voluntários bilingues e até mesmo os poucos ambulantes que conseguiram se infiltrar no caminho eram bilingues: "Latão, latão, quatro reais, big beer, big beer, four reais". Sem pestanejar, mandei um amigo, desce two, prisx.
Conforme o estádio se aproximava, impressionava a parafernália de segurança. A começar pelo material humano (para usar um termo técnico). Todas as polícias estavam ali: Militar, Civil, Metropolitana, BOPE, Choque, Montada, Montada com uniforme tipo samurai do futuro, Interpol, Scotland Yard... estava mais para UPP Maracanã do que Estádio Mário Filho.
Apesar do forte esquema, o clima era tranquilo e as pessoas se sentiam muito à vontade para fazer o que mais gostam em tempos de "fêici". O melhor exemplo foi uma loira que subia a rampa ao nosso lado acompanhada do namorado e de algumas amigas. A cada sete passos ela parava, virava para o "namô" e fazia uma pose, ora jogando a cabeça para o lado de modo que as longas madeixas interagiam com o novo Maracanã, ora abrindo os braços no melhor estilo "Jesusona Sexy #partiuMaraca". As fotos só não foram imediatamente para o Facebook porque não havia sinal no estádio. Mas nem precisava, pois também estavam lá a Gá, a Pá, a Rê, a Fá, a Pri, enfim, toda a turma da facul
Uma vez lá dentro, vi que o Maracanã está muito parecido com o Olímpico de Sydney (ANZ Stadium), o Melbourne Cricket Ground (MCG) e imagino que com todos os demais estádios do planeta que sediaram ou sediam grandes eventos tipo Fifa. Bom por um lado, mas esquisito por outro. E a maior decepção, num jogo-teste tipo Fifa, foi o fato de que continuam não vendendo cerveja, tipo FPF e FERJ. Amigos, jogo de futebol sem cerveja é o mesmo que ir à Copacabana e não parar na Adega Pérola na Siqueira Campos. Inconcebível. Não estou falando de porres homéricos, longe disso, mas daquelas duas, três merecidíssimas cervejas geladas enquanto a bola rola.
Mas a decepção não parou por aí. Dos 78.383 lugares do estádio, conseguimos a proeza de comprar ingressos para dois dos poucos assentos com ponto cego. Aliás, ponto cego nada, aquilo era um ensaio sobre a cegueira que deixaria Saramago orgulhoso de tantos instintos negativos que vieram à tona toda vez que, no segundo tempo, o Lucas pegava a bola pela direita. O máximo que eu via através do vidro nada transparente era um borrão amarelo tentando ir pra cima de um borrão vermelho. Pior! A senhora que estava à minha frente não parou um segundo de bater aqueles ensurdecedores infláveis que foram distribuídos na entrada, um misto de caxirola com vuvuzela que ela, sem a menor coordenação ou noção ritmica, ficou batendo durante os 150 minutos (90 de jogo e 60 de espera) na minha cara. In-su-por-tá-vel.
Bem, mas o relógio aponta 16 horas e a bola vai rolar. Estou no lado em que o Brasil ataca no primeiro tempo e a formação ofensiva traz Oscar aberto pela direita, Fred um pouco mais à frente, Neymar na esquerda fechando pelo meio e Hulk mais aberto na esquerda. Se é pra colocar o Oscar ali, que venha com Lucas, pois o que faltou para a Seleção foi justamente um meia para fazer a ligação com o ataque, coisa que o Oscar poderia fazer caso estivesse jogando um pouco mais recuado pelo meio.
Mesmo assim, a Seleção, empurrada pela torcida, começou bem e conseguiu criar algumas boas oportunidades. A primeira com Neymar batendo de voleio à Bebeto, aos quatro minutos. E novamente Neymar, aos cinco, arriscando para o gol quando poderia ter aberto para o Hulk. Aliás, o novo reforço do Barça, provavelmente louco para fazer o primeiro gol da reabertura do Maracanã, estava com fome de bola, mas individualista demais. O Brasil foi superior durante toda a primeira etapa, Hulk quase guardou o dele num leve desvio de calcanhar, e Fred também quase abriu o placar, após lance de Oscar. Só queria ter visto o Paulinho chegar mais ao ataque, como faz no Corinthians, pois ficou muito preso no meio-campo.
Registro do intervalo: o banheiro que eu havia ido antes estava fechado, e as filas das lanchonetes gigantescas.
No segundo tempo, Felipão voltou com o lateral-esquerdo Marcelo no lugar do fraco Filipe Luis, e Hernanes no lugar do Luiz Gustavo, o que acabou desequilibrando o time. Sem um meia de ligação, Hernanes jogou mais avançado, teve um papel importante ofensivamente, tanto que participou diretamente do gol do Fred, mas o posicionamento dele acabou dando muito espaço para a Inglaterra tomar conta do meio-campo.
Aos gritos de "Lucas, Lucas", aos 11 minutos Felipão trocou Oscar pelo atacante do PSG, provocando a ira da torcida, que vinha perseguindo e vaiando o atacante Hulk - injustamente, diga-se de passagem - e queria que ele tivesse saído. Besteira, porque no minuto seguinte, no lance do gol do Fred, foi ele quem fez a jogada pela esquerda e tocou para Hernanes estourar a bola na trave. Fred, sempre bem posicionado, aproveitou o rebote e fez Brasil 1 a 0.
A Inglaterra, que parecia jogar com o freio de mão puxado desde o começo do jogo, cresceu com o espaço deixado pelo Brasil, chegou ao empate aos 23, com chute de fora da área de Chamberlain, e virou aos 34, com Rooney, que recebeu a bola na esquerda, cortou para a diagonal e caminhou, caminhou, caminhou livremente até acertar um balaço na forquilha, também de fora da área, que pegou Júlio César adiantado. Inglaterra 2 a 1. Paulinho, que deixaria o gramado para a entrada de Fernando no minuto seguinte, finalmente foi ao ataque e acertou um belíssimo chute de primeira após jogada de Lucas
O Brasil segue sem vencer seleções de alto nível desde que Felipão assumiu (na verdade, desde 2009), mas pelo menos começa a mostrar organização em campo. Vai sofrer na Copa das Confederações com a falta de um meia-armador, já que tem somente Jadson para desempenhar essa função, ou no máximo Oscar. A sequência contra Japão, México e Itália, na primeira fase, será excelente para o Felipão observar e dar uma cara para a Seleção, assim como o amistoso contra a França. A ver.
Fechando a jornada, a saída do Maracanã foi tranquila, mas a entrada para o metrô foi caótica. Muita bagunça para chegar nas catracas e entrar nos vagões, que estavam abarrotados. Mesmo assim, tudo ocorreu com relativa segurança e, pouco antes das 18h30, já estávamos na Estação Botafogo, no não mais ensolarado domingo. Aguardemos a Copa das Confederações... Fifa.


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