quinta-feira, 11 de julho de 2013

Atlético (MG) 2 x 0 Newell´s (ARG)

Libertadores da América 2013
Semifinal
Quarta-feira, 10 de julho de 2013
Estádio Independência (MG)

Depois da sapecada de 2 a 0 que levou na Argentina, tudo o que o Galo precisava na partida de volta diante do Newell´s Old Boys era:

1. Fazer gols (no plural).
2. Não levar gol (singular ou plural, qualquer hipótese seria desastrosa).

Bola rolando e a jogada de sempre do Atlético. Ligação direta da defesa para Jô ajeitar de cabeça para algum companheiro de ataque. Não funcionou. Antes dos 3 minutos, zaga argentina faz lambança e a bola sobra para Tardelli, que toca pra Ronaldinho, que enfia meticulosamente para Bernard bater na saída do goleiro Guzmán. Galo 1 a 0 e torcida vai à loucura. Aos 6, Jô arrisca de fora da área e Guzmán pega em dois tempos. Atlético marca pressão. Dez minutos e a partida é corrida. Galo quer o segundo gol enquanto o Newell´s - que tem três jogadores de muita qualidade do meio pra frente - tenta o primeiro (em vez de se trancar como faria 91.6% dos clubes sul-americanos).


Quinze minutos e o Newell´s acerta o primeiro chute a gol. Aos 20, jogo parado depois de Gilberto Silva cabecear a cabeça do experiente zagueiro Heinze. Isso mesmo que você leu. Newell´s tenta com Maxi Rodríguez e depois só dá Atlético, incendiado por Bernard, que está infernal.  Mas o jogo pára aos 36 minutos em função de contusão do goleiro Guzmán, retornando somente aos 43. Foi o tempo de  ir à cozinha preparar uma caipirinha (sim, jogo com esse time do Atlético só assisto com caipora). No retorno, juiz assinala nove minutos de acréscimo, mas nada de muito interessante aconteceu, exceto um possível pênalti não marcado em Jô.

Segundo tempo começa e, logo aos 3, Tardelli é seguro e empurrado na área. Pênalti que juiz não marca. Vem Newell´s, Cáceres arrisca e Victor espalma. Mais Newell´s no ataque. Bernard responde. Dez minutos e os argentinos quase matam a partida no contragolpe. Figueiroa fechou pelo meio e deixou Casco e Scocco livres na área. Eles se enroscam e perdem A Chance. Quinze minutos e o Galo encontra muita dificuldade para chegar no gol do Newell´s, que marca forte e toca bem no ataque. Galo tenta duas vezes com Jô, mas não dá em nada. Trinta minutos e Cuca troca Pierre por Luan, jogando com praticamente cinco homens na frente. Aos 32, refletores começam a falhar. A Globo diria: 

"Eles estavam funcionando bem, de maneira ordenada, até que um pequeno grupo de lâmpadas baderneiras parou e queimou o resto". Jogo pára e Cuca conversa com o time, enquanto vou para a terceira caipirinha (sim, tivemos outra no intervalo).

Partida retorna aos 43 e, "miraculosamente" (CUCA), o Galo melhora. Tardelli e Bernard saem para as entradas de Alecsandro e Guilherme. Aos 48, Luan cruza da esquerda e Guilherme bate da entrada da área, com perigo. Aos 50, a bola mais uma vez sobra para Guilherme, também próximo à área, e GOOOOLLLL!!! Desta vez ele acerta um chutaço no canto esquerdo de Guzmán, fazendo 2 a 0 e mantendo o Galo mais vivo do que nunca. Pressão do Atlético. Resposta argentina e Victor faz defesa sensacional. O jogo já estava parado, mas foi espécie de "1, 2, 3 testando, 1, 2, 3 testando" para os pênaltis. Juiz apita o final da partida e a dacisão vai para as penalidades.

Pênaltis
Alecsandro parte para a primeira cobrança. O irmão do Richarlysson bate na direita, a meia altura.
1 a 0 Galo. Scocco nela. Cavadinha no meio, alta, com muita categoria. 1 a 1. Guilherme também cobra com categoria, um mix de 
semi-paradinha com petardo. 2 a 1 Galo. Zagueiro Vergini bate no meio, Victor foi pro canto. 2 a 2. Jô toma muita distância e bate pra fora. Silêncio mortal no Horto. Agora é a vez de Casco carimbar o travessão, destruindo o ninho da coruja e aliviando a do Jô. Vem Richarlysson. Muita distância e... por cima. A marca do penal está um brejo. Cruzado tenta acertar o ninho da coruja novamente, mas bate ainda pior, aliviando a do Ricky. Permanece tudo igual. Vem Ronaldinho. Frio. Calculista. Ele coloca no canto esquerdo. 3 a 2 Galo. Maxi Rodríguez pra bola. Se perder, o Newell´s está fora. Victor, à Rogério Ceni, mas de maneira mineira, dá uma diantadinha e pega. Explosão de alegria e alívio no Independência (não necessariamente nessa ordem).

O Atlético está classificado para a sua primeira final de Copa Libertadores e vai enfrentar o tricampeão Olímpia, do Paraguai, que chega à oitava decisão. Os jogos acontecem nos dias 17 de julho, em Assunção, e 24 de julho, no Mineirão FIFA. Será o encontro de um time muito equilibrado e com um ataque arrasador, o Galo, versos uma grande defesa e uma equipe extremamente bem armada. Promessa de dois jogos épicos.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

São Paulo 1 x 2 Corinhtians

Recopa Sul-Americana
Final - Jogo de ida

Quarta-feira, 3 de julho de 2013
Morumbi

Voltar de um recesso de duas semanas para decidir um título é complicado. Ainda mais quando se trata de um dos maiores clássicos do Brasil. Pela partida de ida da decisão da Recopa Sul-Americana, o São Paulo recebeu o Corinthians no vazio Morumbi (30 mil pessoas para um jogo desse é vazio) e o que se viu no primeiro tempo parecia mais uma pelada do churrasco da firma.


No primeiro lance, Emerson tenta pela esquerda e Douglas, na marcação, cai sozinho no gramado. Na sequência da mesma jogada, Emerson se enrosca com a bola e desaba sem ninguém encostá-lo. Parecia o Almeida do almoxarifado e o Antunes da contabilidade. Cinco minutos e o jogo é bastante movimentado, apesar da forte marcação. Aos 9, o primeiro chute a gol. Guilherme, o bom substituto do Paulinho, arrisca de fora da área, a bola desvia e vai pra escanteio. Aos 15, Osvaldo dispara, coloca a bola entre dois corintianos e sofre falta, que não dá em nada. Vinte minutos e Luis Fabiano, sem ângulo, recebe de Jadson e manda um petardo. Cássio espalma. Aos 27, Danilo, contundido, deixa o campo para entrada de Douglas (camisa pra fora, barba por fazer, cara inchada, é a personificação do tiozão do churras da firma, aquele que compra a carne, leva o barril de chope, o videokê, zoa com todo mundo, "olha" a churrasqueira, joga a mulherada na piscina, enfim...).

Aos 28, Romarinho escapa pela direita, deixa Juan, um legítimo lataral-esquerdo de churrasco, para trás e cruza para Emerson, que é bloqueado. A bola sobra para Guerrero bater livre e estufar a rede do Rogério Ceni. Golaço. Corinthians 1 a 0. Aos 38, mais churrasco. Uma das chuteiras do Emerson fica pelo caminho, ele pega e, em vez de recolocá-la, o camisa 11 joga com o pisante na mão. Incrível! Depois dessa, fui pra cozinha, abri uma cerveja e coloquei duas linguiças no George Foreman Grill. Na volta, felizmente o primeiro tempo já havia acabado. Jogo equilibrado, com poucas finalizações e uma falha individual que resultou no 1 a 0 do Corinthians.

O São Paulo voltou para o segundo tempo com Wellington no lugar de Douglas e Aloísio no lugar de Ganso (sim, ele esteve em campo, aplicou um chapéu no Emerson, recebeu um amarelo por obstrução e só). E logo aos 40 segundos, Aloísio, o Boi Bandido, bateu de fora da área, em cima do goleiro Cássio, que não estava muito certo do que fazer e optou pela pior alternativa: mandar a bola pro gol. Frangaço e tudo igual na decisão.

São Paulo vai pra cima e esboça pressão. Aos 8, Douglas, contundido, deixa o gramado para cuidar da churrasqueira, dando lugar a Renato Augusto. Dez minutos e o São Paulo quase chega com Rodrigo Caio e Luis Fabiano. Aos 11, Jadson acha Aloísio na direita, que cabeceia pra fora. Aos 14, São Paulo sai no contra-golpe com Osvaldo, que toca para Luis Fabiano. Renato Augusto mata o lance (a partir de agora, vocês ouvirão bastante esse nome).

Aos 15, Renato Augusto arrisca de fora. Aos 18, cruzamento de Renato Augusto e Guilherme cabeceia na trave. Corinthians cresce e chega com mais perigo. Aos 23, em contra-ataque em alta velocidade, o bom Edenílson abre para Emerson na direita, ele cruza pra Romarinho que manda mais uma vez na trave. Pressão corintiana. São Paulo responde, mas sem perigo. Segundo tempo é bom. São Paulo consegue reequilibrar o jogo. Mas aos 30, Fabio Santos lança pra... Renato Augusto, que está mano a mano com Toloi. Antes do zagueiro chegar, Renato Augusto, que já tinha visto Rogério Ceni adiantado eu sei, pleonasmo, bateu forte, por cima, fazendo um go-la-ço. Corinthians 2 a 1. No desespero, aos 39, Luis Fabiano cruza da direita e Jadson ajeita para Aloísio bater. Fabio Santos tira a bola que tinha endereço certo. No último lance, Renato Augusto, o nome do jogo, arriscou de fora da área e a bola passou com perigo, quase definindo a Recopa.


Fim de jogo e resultado justo.  O Corinthians, com um time e um elenco muito mas muuuuuito mais equilibrado do que o São Paulo, deu um passo importante para conquistar o inédito título. E a diferença é gritante. Enquanto o Tricolor vem perdendo no decorrer do ano por falhas individuais, justamente por não ter as peças necessárias para cada posição, muito menos um esquema seguro; o Corinthians, absolutamente compacto e homogêneo, perde um craque como o Paulinho e já tem um Guilherme no lugar. Na mesma partida, perde Danilo e Douglas por contusão e tem um Renato Augusto - voltando de contusão - que entra e decide. Sem mencionar Fabio Santos, lateral-esquerdo revelado pelo próprio São Paulo, que faz um lançamento primoroso para o segundo gol corintiano e salva o que seria o segundo gol são-paulino, enquanto amarguramos um Pobre Juan, uma avenida na esquerda que proporcionou o primeiro gol do Corinhtians, quando o jogo estava igual.

A partida de volta acontece em 17 de julho, no Pacaembu, com o Corinthians jogando pelo empate diante de sua torcida. Vai ser casca.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sócrates e Romário

Em tempos de Ronaldo e Pelé (dois grandes poetas quando calados), quanta falta faz o Doutor.



Pelo menos ainda nos resta um Romário.


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Caxirola Force One

Senhoras e senhores,

Mais seguro do que o Thiago Silva, mais rodado do que o Júlio César, mais rápido do que o Lucas, mais pontual do que o Dante e o Luiz Gustavo, mais colorido do que os ternos do Daniel Alves, mais aéreo do que o Jô, mais incrível do que o Hulk, mais Gol do que o Fred, mais econômico do que o Parreira e muito menos cai-cai do que o Neymar, com vocês:

CAXIROLA FORCE ONE




segunda-feira, 10 de junho de 2013

Brasil 3 x 0 França

Amistoso internacional
Domingo, 9 de junho de 2013
Arena do Grêmio (RS)

E cá estamos na esperança de ver alguma evolução na Seleção Brasileira em relação à semana passada, quando fez um bom primeiro tempo diante da inglaterra e um fraco segundo. Do time que começou jogando no Maracanã, a única alteração é o lateral-esquerdo Marcelo, que entrou no lugar do Filipe Luis. E, antes de iniciar, vale o registro do uniforme azul-calcinha-desbotada dos franceses. Esquisito. Mas passarelas à parte, vamos ao jogo.


Neymar para Fred, bola rolando. E já temos a primeira lambança aos trinta segundos. O goleirão Lloris deu um belo drible no Fred, tentou fazer o mesmo com Neymar, perdeu a bola e quase entregou o ouro. No minuto seguinte, Fred arrisca o primeiro chute.  Cinco minutos e o jogo é truncado. Aos 8, David Luiz só não recebeu amarelo porque é partida amistosa. Pontapé desnecessário no campo de ataque. Opa, a França, em duas descidas, chega trocando passes em alta velocidade e quase sai na cara do gol. Enquanto isso, Brasil erra muitos passes.

Neymar aparece pela primeira vez aos 12, mas cruza pra ninguém. Resposta de Guilavogui cabeceando com perigo. O Brasil não consegue trocar três passes no campo da França, que está fechadinha e perigosa no contragolpe. Aos 16, Thiago Silva dá um bicão lança e encontra Neymar próximo à entrada da área. Falta. Ele e Hulk confabulam, combinam algo, tramam, conspiram, enfim, vem chumbo. Na cobrança... Hora da cerveja. Como estou em Petrópolis, abro uma Petra Escura para prestigiar a economia local. Na escala Seleção Brasileira, seria uma Jefferson: segura, levemente encorpada, correta, mas não tem muito mais para evoluir.

Hulk, pela direita, corta e arrisca de fora da área, por cima. Estamos chegando aos 20 minutos. Hulk faz outra boa jogada pela direita e recebe falta. O Centauro quer jogo. Oscar aparece na defesa para ajudar na saída de bola, finalmente, pois a transição para o ataque não existe. David Luiz, que tanto insistiu, toma o amarelo por outra entrada violenta. Oscar começa a cair pelas duas pontas e cresce. Estamos nos 40 e Hulk fuzila de fora da área, quase matando um francês. Daniel Alves vai à frente pela primeira vez. PAUSA AQUI. Foi isso mesmo que vocês leram, o jaqueta 2 do Barcelona demorou mais de 40 minutos para fazer a primeira jogada na frente. PAUSA DESFEITA. Ele cruzou e Fred finalizou com perigo. Hulk e Marcelo ainda tentaram, a bola passou na frente de Neymar, na pequena área, e foi só. Fim do primeiro tempo com honesto 0 a 0.

Justiça seja feita: Hulk foi o melhor do Brasil na primeira etapa, seguido de Oscar e, beliscando um bronze, Marcelo.

Bola rolando e vem França. Vinha. Oscar rouba, toca pra Paulinho, que toca pra Fred. Ele ajeita pra Hulk e a bola vai com perigo. França responde com Cabaye, a bola desliza na rede pelo lado de fora. Agora é a vez de Payet arriscar de fora. Aos 8, Fred recebe na esquerda, invade a área e toca para Oscar, que domina e bate no canto direito do goleiro francês. O lance, na verdade, começou com roubada de bola faltosa de Luiz Gustavo, mas o juizão não viu e o Brasil está na frente: 1 a 0 em Pôrto (como diriam os locais).

Vem mais Brasil, Oscar recebe na área e desvia com perigo. Seleção aperta a marcação, mas França escapa no contra-ataque, Valbuena cruza pela direita e David Luiz quase faz contra. Júlio César salvou a dele. França no ataque. Escanteio. A bola passeia por toda a pequena área do Brasil e, por sorte, ninguém aproveita. Não pode. Público vibra aos 17, entram Fernando e Lucas. Saem Oscar e Hulk. Respectivamente? Não me lembro. Mas a pergunta é: Seleção com três volantes, pra quê? Aos 20, Brasil chegou bem pela direita e Fred quase fez o segundo. França faz três substituições e Felipão troca Fred por Jô.

Trinta minutos e o Brasil está inteiro no campo da França, mas com dificuldade para penetrar. Aos 35, Hernanes entra no lugar do Luiz Gustavo e, quatro minutos depois, o destino sorri pra ele. Em contra-ataque rápido, a bola é aberta na direita para Lucas e ele cruza para Neymar, que ajeita para Hernanes. O jaqueta 8, que havia se queimado na Seleção justamente contra os franceses, se redime batendo no canto esquerdo do goleiro Lloris. Abro uma Petra em homenagem aos justos Deuses do futebol (desculpem a heresia, sei que Eles merecem muito mais do que uma Petra, mas pela bola que o Brasil vem jogando, era o que tinha).

Aos 41, é a vez de Dante no lugar de Paulinho, passando David Luiz para o meio-campo. Truco! Vem também Bernard no lugar de Neymar, que fez a assistência para o Hernanes, e só. Falando nele, Hernanes, que nos dois jogos que entrou deu outro ritmo ofensivo à Seleção, achou bem o Bernard na esquerda, mas o futuro ex-Galo bateu mal. Aos 46, outra boa jogada de Hernanes, que tocou para Marcelo. O lateral avançou pela esquerda, cortou na diagonal e foi derrubado na área. Pênalti. Lucas, aos 47, com categoria, colocou no canto esquerdo do goleiro, fechando o placar: CT de Cotia Brasil 3 x 0 França.

Com o resultado, caem dois tabus: seca de vitórias da Seleção contra campeões do mundo, que durava desde 2009, e seca contra a França, que não era batida pelo Brasil desde 1992 (o que nos custou três Mundiais). Além disso, foi bom para dar confiança aos jogadores, certa tranquilidade para o Felipão, mas que ninguém se deixe enganar, pois o futebol, nos dois tempos, foi bem inferior ao que o Brasil apresentou na primeira etapa contra a Inglaterra, que é uma seleção muito mais forte do que essa francesa.

Aguardemos a Copa das Confederações e o retrato que ela fará do atual estágio da Seleção Brasileira, pois os três adversários da primeira fase são fortes.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Reabertura (tipo Fifa) do Maracanã

Domingo ensolarado, Estação Botafogo do metrô. Duas e dezoito no relógio tipo Fifa. Sim, ontem era tudo tipo Fifa (bem, quase tudo). Em pouco mais de vinte minutos já estávamos na Estação São Cristóvão, a oficial para quem entra pelos portões E e F do Maracanã.


Na saída, vários voluntários tipo Fifa com cartazes tipo Fifa davam as boas-vindas e indicavam o caminho para aquele que, um dia, foi o maior do mundo. Aliás, placas bilingues, voluntários bilingues e até mesmo os poucos ambulantes que conseguiram se infiltrar no caminho eram bilingues: "Latão, latão, quatro reais, big beer, big beer, four reais". Sem pestanejar, mandei um amigo, desce two, prisx.

Conforme o estádio se aproximava, impressionava a parafernália de segurança. A começar pelo material humano (para usar um termo técnico). Todas as polícias estavam ali: Militar, Civil, Metropolitana, BOPE, Choque, Montada, Montada com uniforme tipo samurai do futuro, Interpol, Scotland Yard... estava mais para UPP Maracanã do que Estádio Mário Filho.

Apesar do forte esquema, o clima era tranquilo e as pessoas se sentiam muito à vontade para fazer o que mais gostam em tempos de "fêici". O melhor exemplo foi uma loira que subia a rampa ao nosso lado acompanhada do namorado e de algumas amigas. A cada sete passos ela parava, virava para o "namô" e fazia uma pose, ora jogando a cabeça para o lado de modo que as longas madeixas interagiam com o novo Maracanã, ora abrindo os braços no melhor estilo "Jesusona Sexy #partiuMaraca". As fotos só não foram imediatamente para o Facebook porque não havia sinal no estádio. Mas nem precisava, pois também estavam lá a Gá, a Pá, a Rê, a Fá, a Pri, enfim, toda a turma da faculdade, do clube e do condomínio, numa festa tipo Fifa, bem branca e com os preços nas alturas.

Uma vez lá dentro, vi que o Maracanã está muito parecido com o Olímpico de Sydney (ANZ Stadium), o Melbourne Cricket Ground (MCG) e imagino que com todos os demais estádios do planeta que sediaram ou sediam grandes eventos tipo Fifa. Bom por um lado, mas esquisito por outro. E a maior decepção, num jogo-teste tipo Fifa, foi o fato de que continuam não vendendo cerveja, tipo FPF e FERJ. Amigos, jogo de futebol sem cerveja é o mesmo que ir à Copacabana e não parar na Adega Pérola na Siqueira Campos. Inconcebível. Não estou falando de porres homéricos, longe disso, mas daquelas duas, três merecidíssimas cervejas geladas enquanto a bola rola.

Mas a decepção não parou por aí. Dos 78.383 lugares do estádio, conseguimos a proeza de comprar ingressos para dois dos poucos assentos com ponto cego. Aliás, ponto cego nada, aquilo era um ensaio sobre a cegueira que deixaria Saramago orgulhoso de tantos instintos negativos que vieram à tona toda vez que, no segundo tempo, o Lucas pegava a bola pela direita. O máximo que eu via através do vidro nada transparente era um borrão amarelo tentando ir pra cima de um borrão vermelho. Pior! A senhora que estava à minha frente não parou um segundo de bater aqueles ensurdecedores infláveis que foram distribuídos na entrada, um misto de caxirola com vuvuzela que ela, sem a menor coordenação ou noção ritmica, ficou batendo durante os 150 minutos (90 de jogo e 60 de espera) na minha cara. In-su-por-tá-vel.

Bem, mas o relógio aponta 16 horas e a bola vai rolar. Estou no lado em que o Brasil ataca no primeiro tempo e a formação ofensiva traz Oscar aberto pela direita, Fred um pouco mais à frente, Neymar na esquerda fechando pelo meio e Hulk mais aberto na esquerda. Se é pra colocar o Oscar ali, que venha com Lucas, pois o que faltou para a Seleção foi justamente um meia para fazer a ligação com o ataque, coisa que o Oscar poderia fazer caso estivesse jogando um pouco mais recuado pelo meio.

Mesmo assim, a Seleção, empurrada pela torcida, começou bem e conseguiu criar algumas boas oportunidades. A primeira com Neymar batendo de voleio à Bebeto, aos quatro minutos. E novamente Neymar, aos cinco, arriscando para o gol quando poderia ter aberto para o Hulk. Aliás, o novo reforço do Barça, provavelmente louco para fazer o primeiro gol da reabertura do Maracanã, estava com fome de bola, mas individualista demais. O Brasil foi superior durante toda a primeira etapa, Hulk quase guardou o dele num leve desvio de calcanhar, e Fred também quase abriu o placar, após lance de Oscar. Só queria ter visto o Paulinho chegar mais ao ataque, como faz no Corinthians, pois ficou muito preso no meio-campo.

Registro do intervalo: o banheiro que eu havia ido antes estava fechado, e as filas das lanchonetes gigantescas.

No segundo tempo, Felipão voltou com o lateral-esquerdo Marcelo no lugar do fraco Filipe Luis, e Hernanes no lugar do Luiz Gustavo, o que acabou desequilibrando o time. Sem um meia de ligação, Hernanes jogou mais avançado, teve um papel importante ofensivamente, tanto que participou diretamente do gol do Fred, mas o posicionamento dele acabou dando muito espaço para a Inglaterra tomar conta do meio-campo.

Aos gritos de "Lucas, Lucas", aos 11 minutos Felipão trocou Oscar pelo atacante do PSG, provocando a ira da torcida, que vinha perseguindo e vaiando o atacante Hulk - injustamente, diga-se de passagem - e queria que ele tivesse saído. Besteira, porque no minuto seguinte, no lance do gol do Fred, foi ele quem fez a jogada pela esquerda e tocou para Hernanes estourar a bola na trave. Fred, sempre bem posicionado, aproveitou o rebote e fez Brasil 1 a 0.


A Inglaterra, que parecia jogar com o freio de mão puxado desde o começo do jogo, cresceu com o espaço deixado pelo Brasil, chegou ao empate aos 23, com chute de fora da área de Chamberlain, e virou aos 34, com Rooney, que recebeu a bola na esquerda, cortou para a diagonal e caminhou, caminhou, caminhou livremente até acertar um balaço na forquilha, também de fora da área, que pegou Júlio César adiantado. Inglaterra 2 a 1. Paulinho, que deixaria o gramado para a entrada de Fernando no minuto seguinte, finalmente foi ao ataque e acertou um belíssimo chute de primeira após jogada de Lucas que eu vi embaçada pela direita, empatando a partida aos 38. Com a substituição, Felipão reequilibrou o time e o jogo permaneceu igual até o final.

O Brasil segue sem vencer seleções de alto nível desde que Felipão assumiu (na verdade, desde 2009), mas pelo menos começa a mostrar organização em campo. Vai sofrer na Copa das Confederações com a falta de um meia-armador, já que tem somente Jadson para desempenhar essa função, ou no máximo Oscar. A sequência contra Japão, México e Itália, na primeira fase, será excelente para o Felipão observar e dar uma cara para a Seleção, assim como o amistoso contra a França. A ver.

Fechando a jornada, a saída do Maracanã foi tranquila, mas a entrada para o metrô foi caótica. Muita bagunça para chegar nas catracas e entrar nos vagões, que estavam abarrotados. Mesmo assim, tudo ocorreu com relativa segurança e, pouco antes das 18h30, já estávamos na Estação Botafogo, no não mais ensolarado domingo. Aguardemos a Copa das Confederações... Fifa.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Atlético (MG) 1 x 1 Tijuana (MEX)

Libertadores da América 2013
Atlético (MG) 1 x 1 Tijuana (MEX)
Quartas de final
Quinta-feira, 30 de maio de 2013
Estádio Independência (MG)

Depois do post que escrevi essa semana defendendo a convocação do
Ronaldinho na Seleção, nada melhor do que um jogo decisivo da Libertadores para ilustrar o texto. Ou não - como diria Caê.

Bola rolando no Horto e com 11 segundos o Tijuana chega com perigo. Riascos. Victor colocou pra escanteio. Resposta do Tardelli aos três minutos, que chuta de fora da área. Esse patrocínio da Tecate na camisa do Tijuana está convidativo. Em homenagem à proximidade com a fronteira, hoje vou de Budweiser. Dez minutos e nada, a pressão insuportável do Atlético não funciona. O Tijuana está à vontade. Aos 14, Gandolfi balança a rede, mas em posição irregular. Atlético finalmente vai pra cima e encurrala os mexicanos. O problema é que erra muitos passes. Aos 25, Ronaldinho perde na frente e dá contragolpe. A bola é esticada na diteita, Nuñez cruza e Riascos pega na entrada da área, de primeira, fazendo 1 a 0 Tijuana. Os caras, que já estavam catimbando, principalmente o capitão Gandolfi, agora então...

O Galo não consegue se articular no ataque. A marcação mexicana é muito boa. Aliás, esse técnico argentino, Antonio Mohamed, conhece. Só peca no cachecol, como diria aquele torcedor mais, digamos, sensível. Aos 33, Leonardo Silva dá o segundo bicão pra ninguém na tentativa de lançamento. A coisa está feia. Opa, falta perigosa no bom lateral Marcos Rocha. Ronaldinho cobra e a bola passa perto (pero no mucho). Mais uma falta para o Galo. Ronaldinho, aos 40, acha Réver livre na pequena área que, de pé direito, só empurra para o GOL. Empate em 1 a 1 que classifica o Galo. Na comemoração, Réver coloca a bola na barriga, Ronaldinho dá beijinho batizando a gravidez, foi quase um Bebeto/Mazinho. Daqui a uns 15 anos a criança estará jogando nas divisões de base do... Cruzeiro (apaga). Torcida cresce e time vai pra cima. “Mais um! Mais um!".  Aos 46, Ronaldinho arrancou, deu um corte genial no zagueiro, que ficou no chão, e enfiou para o Bernard, que bateu travado. Fim do primeiro tempo.

Atacante Martinez,  o genérico do Neymar, entra no lugar de Ortíz. Cinco minutos e não aconteceu absolutamente nada. Jogo muito truncado. Precso urgentemente de uma Budweiser (com beerholder temático - vide abaixo). Aos seis, Ronaldinho e Bernard fazem boa jogada pela direita, a bola é alçada na área e Leonardo Silva, livre, cabeceou muito mal. Era pra ter guardado. Aos 9, Marcos Rocha cruza, Saucedo sai mal e Jô quase pega. Atlético continua errando muitos passes. O ataque, definitivamente, não funciona hoje. Vinte minutos e Luan entra no lugar de Bernard. Em seu primeiro Lance, ele ganha pela direita e cruza pra Jô. Tá com vontade. Torcida cresce. Ronaldinho e Jô pelo meio, tiro por cima. Aos 24, numa falha incrível de Richarlysson, o mexicano saiu livre na cara do gol e o goleiro Victor salvou o Atlético. PAUSA. Lembrem dessa última frase.

Aos 29, em cobrança de escanteio, Tijuana, novamente, quase faz o segundo. Josué entra no lugar do Marcos Rocha. Arce bate falta com perigo e a bola explode no travessão do Victor, que está com sorte hoje. Tardelli responde. Faltam dez minutos e o técnico mexicano coloca mais um atacante, vão pro tudo ou nada. Ronaldinho, Josué e Luan fazem boa jogada e goleiro Saucedo defende em dos lances. Falta na lateral direita para os mexicanos. Arce na cobrança. Afasta. Quarenta. Quaquaquaquaqua-renta. 

Alecsandro no lugar do Jô. Aos 43, Ronaldinho puxa contra-ataque, deixa Luan livre mas Saucedo espalma. Ronaldinho tenta de novo, pediu falta, não foi nada. Quatro de acréscimo. Torcida chia muito. Aos 46, lançamento do Arce, a bola é desviada e sobra para Aguilar, que é derrubado por Leandro Silva na área. PENALIDADE MÁXIMA aos 46 minutos do segundo tempo. Se Riascos fizer, acaba a Libertadores para o Atlético. Silêncio ensurdecedor no estádio. Ele vai pra bola e VIIIIIIIIIIIIIIIICTOOOOR. O goleiro do Galo cai para a direita e, com o pé, defende a bola que entraria no centro do gol. Um MONSTRO. Merece duas estátuas no Horto, uma pela defesa e outra... também pela defesa. Fazia tempo que eu não via um final tão emocionante. Jogadores vão à loucura, torcida chora muito. De arrepiar.  O que vai ter de mineirinho sendo batizado de Victor nas próximas semanas. Juiz apita, Galo na semi para enfrentar o Newell´s Old Boys.

Beerholder Galo/Roosters em homenagem ao Vlad.

O Atlético não foi nem sombra do que vinha jogando na temporada. O Tijuana, desde o início, esteve muito mais perto da vitória do que o Galo. Mas quando nada funciona e o time é salvo, nos acréscimos, pelo pé milagroso do goleiro, garantindo a classificação para a semifinal da Libertadores, isso tem um nome: SUERTE DE CAMPEÓN. Tomei uma dose de Bendita em homenagem ao Victor, presente do amigo mineiro Eduardo, e outra em homenagem ao Vlad, o maior atleticano da Austrália e também torcedor fanático do Sydney Roosters. Ronaldinho e cia ficaram devendo (exceto o Victor, lógico), mas estão com crédito.