quarta-feira, 24 de abril de 2013

Bayern 4 x 0 Barcelona

Liga dos Campeões 2013
Semifinal
Terça-feira, 23 de abril de 2013
Allianz Arena, Munique (ALE)

Em campo, a base da Espanha campeã da última Copa do Mundo + o melhor jogador do planeta; contra a base da Alemanha terceira colocada na última Copa + o craque que, ao lado do Sneijder, conduziu a Holanda ao vice-campeonato em 2010.

Bola Rolando e em menos de dois minutos temos a sinopse da partida. Barcelona troca passes, de pé em pé, passando por metade da população da Catalunha. O Bayern toma a bola, Robben estica na direita para Martinez, que devolve de calcanhar para o holandês ajeitar e bater com perigo.


Falando em sinopse, Galvão Bueno avisa que não teremos Sessão da Tarde por conta da partida. O que nos leva à inevitável pergunta: o que deixaremos de ver?

a) Karatê Kid

b) Curso de Verão
c) A Lagoa Azul


Dez minutos e o jogo não muda. Barcelona toca a bola, mas quem chega é o capitão alemão Lahm, que arrisca de fora da área. Escanteio. Aos 15, o próprio Lahm cruza e a bola bate na mão do Piqué, dentro da área. Segue o jogo, diz o árbitro. Vinte minutos e o zagueiro Bartra corta errado. Contragolpe alemão e outro escanteio. Bayern aperta ainda mais a marcação e agora é a vez de Busquets perder a boa.

Até que aos 24, Robben deu um toque matreiro (para não dizer astuto, tinhoso, calculista, ardiloso...) para a área, daqueles que só ele dá. Müller dominou e devolveu pro holandês, que cruzou na cabeça do Dante. O brasileiro subiu quatro vezes mais que Daniel Alves, seu marcador (na minha opinião, sem cometer falta), e ajeitou para o próprio Müller cabecear forte para o chão. Bayern 1 a 0 e corrida rápida até a cozinha para abrir a primeira Erdinger, verdadeiro ode ao trigo delicadamente plantado por alemoas virgens.

O Barça responde, mas Dante, sempre bem colocado, salvou com a ponta da chuteira bola que sobraria para Messi empatar (sim, o argentino está em campo; não, ele não tem condições físicas para estar em campo). A partida segue até o intervalo com o Barça tocando, tocando e não criando nada, e o Bayern chegando com perigo. Tanto que foram uns oito escanteios na primeira etapa para os alemães, quatro chutes a gol e um a zero no placar. Justo.

Segundo tempo começa e logo no primeiro lance amarelo para o incansável Martínez. Iniesta, sumido no jogo em função da marcação implacável do incansável Martínez, chega pela primeira vez com relativo perigo à meta alemã. Parou por aí.

Saída de bola ruim do Barça, Bayer aperta e consegue mais um escanteio. Na cobrança, a bola atravessa a pequena área (Valdés só ficou olhando), Müller ajeitou para Mario Gómez que, no melhor estilo Luca em Vereda Tropicalgirou em posição duvidosa (juro que não foi trocadilho) e empurrou para o gol. Bayern 2 a 0 com três minutos. O rolo compressor alemão está ligado.


Müller tenta aos seis e Robben cabeceia com perigo aos 12. O Barça continua tentando chegar na base do toque (aos 15 minutos eram 398 passes, sendo que 82% certos). Sánchez bate mal aos 21 e Messi, com cada chuteira pesando uma tonelada, bate travado aos 23. Bayern responde com Robben e Lham pela direita e depois... a pintura.

Aos 27, Ribéry roubou a bola na área alemã, avançou até a intermediária do Barça e tocou para Schweinsteiger, que abriu na direita para Robben. O holandês chamou o zagueiro pra dançar, colocou na frente e deu um tapa de futebol de salão, de pé trocado, na saída do goleiro. GOOOLAAAAÇOO. No impulso, quase abri uma Heineken, não somente em homenagem à terra natal do jaqueta 10 do Bayern, o Rembrandt do lance, como também à Champions League, que é patrocinada pela referida cerveja. Mas depois de uma Erdinger seria uma afronta. Optei pela Dunkel da Erdinger.

Com o rolo compressor alemão ligado no modo massacre, o Bayern continuou chegando com perigo. O Barça só ameaçou com o zagueiro Bartra, que desperdiçou chance clara para descontar, aos 31.  Müller pela direita quase faz o quarto. Váldes salvou. O mesmo Müller pediu para sair mas, antes de descer para o chuveiro, recebeu cruzamento de Alaba na pequena área e fez o quarto gol alemão. Oktoberfest fora de época em Munique.


No final, Barça na roda e torcida extasiada gritando olé. Vitória fantástica do Bayern que só não chega à final em Londres, no dia 25, se acontecer um CampNouzazzo na próxima semana, em Barcelona. Aguardemos com mais algumas cervejas da terra de Beckenbauer e Rummenigge
.



quinta-feira, 18 de abril de 2013

São Paulo 2 x 0 Atlético Mineiro

Libertadores da América 2013
1ª fase / Grupo 3
Quarta-feira, 17 de abril de 2013
Estádio do Morumbi (SP)

Com o futebol que São Paulo e Atlético Mineiro vinham jogando, uma vitória do Tricolor diante do Galo, mesmo atuando no Morumbi, não estava entre as predileções mais prováveis. Pior. Tendo ainda que torcer para uma vitória ou empate do Arsenal diante do The Strongest, na Argentina, para chegar às oitavas de final da Libertadores, não é exagero afirmar que a missão do São Paulo estava mais para “À Espera de um Milagre” ou "A Volta dos Mortos Vivos". Eu, que moro no Rio, fiz a minha parte, como podem ver abaixo.

Bola rolando e Cristiano Osvaldo (sim, hoje só me refiro ao jogador como Cristiano Osvaldo ou CO17) dispara pela esquerda. Leonardo Silva barra nosso velocista com falta. Galo chega primeiro com Jô, que dribla bem e quase sai na cara do gol. A resposta do São Paulo veio com Aloísio, que balança a rede, impedido (“um, dois, três, testando, um, dois, três, testando...”). O jogo é tenso e Paulo “Michael Clarke Duncan” Miranda, o mais contestado do time, tira duas bolas, uma de cabeça e outra no chutão, mostrando segurança. Ótimo presságio.

Dez minutos e amarelo para Richarlysson. Cartão importante, pois “Ricky” amarelado é sempre uma potencial avenida para atacarmos. Em jogada de Ronaldinho pelo meio, Douglas e Tolói fazem marcação implacável, enquanto que Paulo Miranda tira mais uma de cabeça. Quinze minutos e o jogo é de xadrez, sem espaço pra ninguém respirar. Tanto que o primeiro chute do São Paulo é com Denílson, aos 18, de fora da área. O Tricolor não usa as laterais para atacar, muito menos faz jogadas de linha de fundo, amarrando o jogo. Mas aos 29, GOOOOLLLLL do Arsenal, na Argentina, comemorado como se fosse nosso. Corri para abrir a primeira cerveja.

Aloísio é o retrato do São Paulo, dá carrinho, se joga, acredita em todas, chama a torcida... é o Boi Bandido. Dupla de volantes dá a proteção à zaga que não vinha fazendo, Douglas cumpre função tática crucial e Ganso é o cara pra fazer a bola correr com qualidade. Depois de um primeiro tempo extremamente tenso (pelo menos pra nós), Ronaldinho fala em se divertir mais na segunda etapa. Neste momento, versão pagode de “Girls Just Want To Have Fun” começa a ser executada nas profundezas do inferno futebolístico.

Primeiro lance perigoso do segundo tempo é de Carleto, que tenta cruzar aos quatro minutos e quase coloca na forquilha. Victor espalma. Jogo continua truncado e alguém precisa errar para o adversário chegar. Obrigado, Atlético, que vacila no meio e a bola é esticada para Cristiano Osvaldo, na direita, que deu toque primoroso para Aloísio dominar e ser puxado dentro da área. Regra 14, amigos. PENALIDADE MÁXIMA para “Rô-gé-riô! Rô-gé-riô! Rô-gé-riô!”.

A cobrança é tão xadrez como vinha sendo o jogo. Passos curtos de um lado e goleiro imóvel do outro. Rogério espera Victor se mexer, que espera o nosso capitão bater. Só quando Rogério estava em cima da bola que Victor opta pelo canto direito. O capitão bate no esquerdo. Tricolor 1 a 0 para delírio de 50 mil torcedores. Jogadores vibraram muito. Praticamente ao mesmo tempo, numa espécie de universo paralelo do futebol, GOOOOLLLLL do Arsenal, na Argentina. Furch ampliou para 2 a 0 e matou o The Strongest. Furch them! Corri para a geladeira e a segunda cerveja desceu como há tempos não descia.

Jogo continua truncado e Rogério Ceni se machuca. Passa alguns minutos e cai novamente. Não gosto dessas paradas longas, mas logo lembro que ele é muito mais experiente do que eu. Depois é a vez do Lúcio, o bravo e eletrizante Lúcio, fazer o mesmo. Novamente lembro que ele também é muito mais experiente do que eu e imagino ser o certo a fazer. Sigamos em frente.

Aos 32, o exausto Aloísio dá lugar para Ademilson. Em menos de cinco minutos, o menino, que tem Bispo no sobrenome, recebe passe açucarado de CO17, que havia recebido passe de craque de Ganso, e dá um belíssimo tapa para o fundo da rede, sacramentando a desacreditada classificação tricolor. Sapequei a terceira cerveja, Chimay, trapista dos monges da abadia de Scourmont guardada para uma ocasião como esta. Ademilson Braga Bispo Jr. foi tão predestinado que nem terminou a partida, saiu contundido, chorando. Mas a graça já havia sido alcançada.

Na Argentina, terra do papa Chicão (qualquer alusão ao nosso capitão na conquista de 1977 frente ao Galo não é mera coincidência), Arsenal 2 a 1 no The Strongest. No Morumbi, São Paulo 2 a 0 no até então melhor time do torneio. Era a redenção do Clube da Fé após comunhão total entre torcida, técnico e jogadores (perdão, chega, eu paro com os hereges trocadilhos religiosos). Que venha o Galo!

A miraculosidade foi tanta que a camiseta se transformou, desbotou... 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Barcelona 1 x 1 Paris Saint-Germain

Liga dos Campeões 2013
Quartas de final
Quarta-feira, 10 de abril de 2013
Camp Nou, Barcelona (ESP)

A dúvida antes da partida decisiva entre Barcelona e Paris Saint-German era se o melhor do mundo teria ou não condições de jogar. A resposta, anunciada pouco antes, foi tiene, pero no mucho. Ou seja, Lionel Messi viria para o jogo, mas começaria no banco.


Foto: Getty Images
Times em campo e jogadores perfilados para a execução do hino da Liga dos Campeões. Abre-se aqui um parêntese. Hino de competição é muito piegas, independentemente de ser a Champions League, a World Series ou o raio que os parta. Imaginem se a nossa jurássica Conmebol resolve criar um hino para a Libertadores? Melhor nem imaginar. Parêntese fechado. Televisão mostra Messi no banco de reservas e... bola rolando.

A zaga do PSG, nervosa, tem dificuldades pra sair jogando e faz falta na intermediária. Xavi vem para a cobrança. “GOL!”, grita metade do estádio. A bola passou rente ao poste francês, sacudindo a rede, mas do lado de fora. Enganou a torcida e derrubou meia-dúzia de locutores. Barcelona também está nervoso. Busquets falha, Lavezzi rouba a bola e parte pra cima da meta espanhola. Piqué alivia.

Meu deus! Thiago Silva, o melhor zagueiro do Brasil, escorrega ao cobrar tiro livre muito próximo de sua área, cai sentado no gramado e é obrigado a dar um segundo toque, que resulta em falta perigosíssima para o Barcelona. Por sorte, não deu em nada. Onze minutos, Iniesta aproveita falha de Thiago Motta, vê o goleiro Sirigu adiantado e tenta encobri-lo batendo do meio de campo. Os mais antigos certamente comentaram que ele tentou “aquele que o Pelé não fez”. Iniesta também não.

Close para Messi no banco.

Lucas começa a aparecer, faz boa jogada pela direita, e no lance seguinte arrisca de fora da área. PSG cresce junto e Lavezzi, de fora da área, arrisca. Mais um close no Messi. Daniel Alves, seguramente o que mais sentia falta do argentino, fez seu primeiro cruzamento. Villa bateu e a bola foi pra escanteio. Lucas recebe de Ibrahimovic e solta um petardo. Por cima. Ibra também começa a entrar no jogo.

Relógio mostra 20 minutos e até agora o Barcelona não engrenou seu jogo de cozimento lento do adversário. Erros constantes no passe e nas invertidas são os principais motivos. PSG chega com mais perigo. Primeiro com Lavezzi, depois em cabeçadas de Lucas e Alex. Artilharia aérea franco-brasileira é forte.

TV >>> Messi.

Barça tenta duas vezes com Villa, uma delas depois de corta-luz brilhante do Xavi. Aos 40, o apagado Fábregas tenta. Lucas, em boa arrancada com direito a drible da vaca, é parado por Adriano, que lhe dá um sarrafo e recebe amarelo. Mas o primeiro tempo ficou nisso. Jogo tão movimentado e aberto que não consegui levantar para pegar uma cerveja.

Bola rolando e Messi continua no banco. Barça chega primeiro, mas quem abre o placar são os visitantes. Aos quatro, em contragolpe, Pastore tocou para Ibra, que devolveu na frente para Pastore. O argentino invadiu a área e tocou na saída do goleiro Valdés. Paris Saint-German 1 a 0. Justíssimo. TV mostra Messi levantando o meião.

Jogo recomeça e outra chegada francesa, que sobe a marcação. Técnico do Barça, vendo a batata assar, coloca Messi no aquecimento. Torcida delira. Ele entra aos 16 no lugar de Fábregas. Daniel Alves, praticamente um órfão do argentino, tenta o passe pra ele. A bola não chegou. Em sua primeira participação efetiva, Messi triangula e o Barça quase chega. Os donos da casa apertam e Iniesta chuta com perigo. PSG responde e consegue aliviar um pouco o frenesi pós-Lionel.

Mas aos 25, Messi recebeu na intermediária, limpou o lance e deu passe incrível para Villa, que ajeitou para Pedro bater no canto esquerdo do rosáceo goleiro italiano do PSG. Sério, o cara é tão genial que voei pra cozinha e abri duas Quilmes. Uma pela maestria no lance e outra pelo conjunto da obra.

Mais calmo, o Barça passou a errar menos passes e controlar melhor o jogo, aproximando-se do futebol que lhe é peculiar, enquanto que o PSG tentava chegar no contra-ataque ou na base do abafa, sem perigo.

No final, placar justíssimo de 1 a 1 e classificação ainda mais justa do Barcelona, que possui o maior jogador em atividade do planeta. O PSG foi um ótimo adversário nas duas partidas, mas sucumbiu. E duas Quilmes de uma só vez em uma partida jogada intensamente durante os 90 minutos mostram bem o quão fantástico é o argentino que, mesmo combalido, foi cirúrgico (sem trocadilho médico) e garantiu a classificação. Que venham espanhóis ou alemães.

domingo, 7 de abril de 2013

Botafogo 3 x 0 Olaria

Campeonato Carioca 2013
5ª Rodada da Taça Rio
Domingo, 7 de abril de 2013
Estádio Raulino de Oliveira, Volta Redonda (RJ)

Sem o Maracanã, fechado para justificar mais de um bilhão de reais em reforma, e o Engenhão, fechado por pura incompetência que resultará em mais alguns bons milhões de reais, Botafogo e Olaria se enfrentaram no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, a nova meca do futebol carioca.

Foto: Paulo Sérgio / Agência Lance
Times em campo, bola rolando.

Passaram-se três minutos e não aconteceu absolutamente nada. Assim que tivermos algo, volto.

Opa, boa enfiada de bola na esquerda do ataque botafoguense. Falta do atacante do Botafogo. Quatro minutos. Seis minutos. Aos oito, cobrança de falta para o Olaria na direita. No rebote, primeiro chute a gol. Passou longe, por cima, sem força, sem perigo... Fui pra cozinha abrir a primeira gelada.

Aos 12, Botafogo chegou pela primeira vez, após boa trama entre Rafael Marques, Felipe Gabriel e Bruno Mendes, que bateu em cima do goleiro. Aos 14, Julio César tocou para o uruguaio Lodeiro, na esquerda, que bateu cruzado com perigo.

O jogo é tão chato que, perto do trigésimo minuto, ouço pela primeira vez o nome do centroavante Lenine, do Olaria. Começo a brincar de Pablo, Qual é a Música?.  A brincadeira era simples, toda vez que ele tocasse a bola no campo de ataque, eu cantaria uma música do referido compositor. Sabem como é, só pra quebrar o tédio e passar o tempo.

Aos 35, Lodeiro cobrou falta e o goleiro Gustavo precisou se esticar todo para espalmar. A bola ainda estourou no travessão. Aos 40, Lenine carregou a bola pelo meio e tocou mal, muito mal. “Mesmo quando tudo pede / Um pouco mais de calma / Até quando o corpo pede / Um pouco mais de alma / A vida não para...”

Aos 42, Marcelo Mattos fez ótimo lançamento para Rafael Marques, que matou a bola de maneira duvidosa mas conseguiu cortar e finalizar com perigo. Três minutos depois, o mesmo Marcelo Mattos deu presente para Valdir na meia cancha, que avançou e sofreu falta do Bolívar. Na cobrança...

Melhor nem falar, vamos para o intervalo, pois faz-se necessária a segunda gelada (e, por que não, uma porção de torresmo?).

Detalhe 1: dos três jogos do Carioca que aconteciam naquele momento, todos foram para o intervalo no 0 a 0.

Detalhe 2: o Olaria vem de derrota para o Friburguense por 5 a 0.

Times retornam para a segunda etapa. Renato, ex-Santos, entra no lugar de Marcelo Mattos. GOL!!! Do Audax, contra o Macaé.

Aos três, zagueirão Thiago Campos leva um escorregão antológico e dá presentaço para Lodeiro, que partiu com a bola, chamou outro zagueiro olariense (acho que é isso) para o tango, cortou e bateu de direita. Belo gol. Fogo 1 a 0.

Botafogo passa a jogar no campo do adversário. Lodeiro, em jogada pela direita, fez falta nele mesmo dentro da área, interrompendo lance que poderia resultar em perigo. Torcida grita o nome do jogador (carioca é muito fanfarrão). Aos 11, ouço pela segunda vez o nome do Lenine. Era substituição no Olaria. Ele, que não fez absolutamente nada, deixa o gramado. “A lua me chama/ Eu tenho que ir prá rua... / Hoje eu quero sair só! / Hoje eu quero sair só!”.

Olaria empata. Não. Erick estava impedido e recebe amarelo por ter concluído a jogada. Passaram-se 18 minutos quando Lodeiro arrisca da intermediária com perigo. No minuto seguinte, nova tentativa do uruguaio, que é o melhor em campo. Torcida do Fogão pede Vitinho. E eu mais uma cerveja.

Sendo a voz do povo a voz de Deus, Osvaldinho de Oliveira, aos 28, coloca Vitinho no lugar de Bruno Mendes. O time melhorou. Aos 30, belo gol do Fogo, pessimamente anulado. Mas quem tem Vitinho...

Aos 34, Felipe Gabriel roubou no meio e mandou para o Pequeno Viti, que fez espécie de fila na área. “Espécie” porque ele se enrolou um bocado, foi fominha, mas bateu bem para o gol e matou o jogo, que já estava morto desde o primeiro minuto. Fogão 2 a 0, que deu o tiro de misericórdia aos 45, obviamente com Vitinho, o fruto da sábia voz popular. Ele recebeu no meio, girou, cortou pra área e soltou um petardo que explodiu no travessão, bateu na grama, voltou pra rede, lá no alto, e morreu no gol. Um go-la-ço do Pequeno Viti.

Final de jogo com 3 a 0 mais do que justo para o Botafogo, três cervejas absolutamente necessárias para aguentar a morosidade da partida, duas canções do Lenine na seção “Pablo, Qual é a Música?” e a grande pergunta que não quer se calar: como Vasco e Flamengo conseguiram ser eliminados do Campeonato Carioca faltando ainda duas rodadas para o término da Taça Rio?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

The Strongest (BOL) 2 x 1 São Paulo


Libertadores da América 2013
1ª fase / Grupo 3
Quinta-feira, 4 de abril de 2013
Estádio Hernando Siles (BOL)

Adoraria encher esse post com receita de Miojo ou hino do Palmei... São Paulo, mas a melhor maneira de exorcizar a derrota de ontem é voltando ao jogo. Vamos lá.

Menos de dois minutos e o The Strongest aperta, arriscando dois chutes de fora da área. Aos quatro, a zaga tricolor deu o primeiro susto. No lance seguinte, Osvaldo avançou pela esquerda, cortou para dentro e bateu bem. Goleiro colocou pra escanteio. Em respeito aos leitores, prefiro não comentar o que o Paulo Miranda fez na área após a cobrança do escanteio. Abri a primeira cerveja, pois a seco não ia rolar.

AP
Aos seis, Osvaldo chutou quando deveria ter cruzado para Aloísio. Resposta boliviana aos oito com mais um chute de fora da área. Rogério Ceni defendeu em dois tempos (leia-se bateu roupa). Pergunta: será que o time, após três chutes bolivarianos de fora da área em apenas oito minutos, não percebeu que os caras tentariam isso o jogo inteiro?

Aos dez, a matriarcal zaga tricolor deixou Pablo Escobar livre (amigos, jamais se deixa um paraguaio naturalizado boliviano de nome Pablo Escobar livre), que recebeu, teve tempo de dominar, olhar para o gol do Rogério, pensar o que ia fazer e bater por cima com muito perigo.

E aos 14, após falha incrível de Denílson, que deixou de tirar uma bola estúpida na intermediária, Soliz avançou tranquilo. Édson Silva, que parecia uma múmia no lance, não conseguiu diminuir o espaço, muito menos travar o chute, que foi na gaveta do Rogério Ceni. Justiça seja feita, nosso guarda-redes não teve culpa. Até porquê, Soliz só voltará a acertar outro desses na forquilha em 2016. The Strongest 1 a 0 e quase fez o segundo, cinco minutos depois, com um foguete de Êcobar. Sapequei a segunda cerveja sem mesmo ter acabado a primeira. Estava osso.

O São Paulo finalmente começou a jogar. Ganso, dentro da área, deu belo passe para Osvaldo, que a essa altura jogava aberto na direita. O mesmo Osvaldo acertou a trave minutos depois, em tentativa de cruzamento. Antes, dois escanteios para o São Paulo e ambos pessimamente cobrados. Incrível. Ninguém avisou que, por conta da altitude, a bola pega mais força e sobe. Carleto isolou duas bolas por cima e o despreparo para a altitude era tanto que Osvaldo tentou a pior das jogadas: colocar a bola na frente para ganhar do marcador na corrida. Amigos, nem se tivesse quatro pulmões e chamasse Euller teria dado certo.

Mas o São Paulo melhorou e chegou com Osvaldo, Aloísio e até Paulo Miranda, que após a primeira cobrança decente de escanteio (demoramos 40 minutos para aprender), cabeceou pra fora. Na jogada seguinte, em boa troca de passes, pênalti claro em Aloísio, bem cobrado por Rogério Ceni no canto esquerdo do goleiro Vaca. Placar justo de 1 a 1. Maicon, com falta de ar, deixou o gramado para a entrada de Wellington, antes mesmo de acabar o primeiro tempo. Não podia esperar o intervalo em vez de queimar uma substituição?

Times em campo para a segunda etapa. Um minuto e Aloísio chutou pro gol. Animei. Paramos aí. Os caras desceram umas quatro vezes, sendo que em três chutaram de fora da área. Só respondemos aos 11, em bom contra-ataque que, em vez de queimar para o gol, Aloísio tentou tocar para Jadson. O jogo ficou aberto, Aloísio e Ganso perderam boas oportunidades, até que aos 20, em mais um chute de fora da área, na verdade, esse foi do meio da rua, Cristaldo mandou a sapatada e Rogério Ceni aceitou, em falha decisiva. The Strongest, que jamais havia ganho do São Paulo, 2 a 1.

Jadson, apagado, apareceu quando tomou um amarelo por empurrar um gandula. Sim, vocês leram isso, nosso jaqueta 10, que outrora foi Raí, Pita, Pedro Rocha e Gerson, tomou amarelo por empurrar um gandula. Pior! Foi o terceiro dele, que desfalca o time no jogo (não escreverei “decisivo”) contra o Atlético Mineiro. Abri a terceira (e amarga) cerveja. Sim, sapequei uma Stout, negra, bem forte, pois a Original estava muito leve para o que se passava em campo.

O São Paulo ainda perdeu oportunidade incrível de empatar com Aloísio, Tolói falhou absurdamente, à Corinthians no último domingo, quase resultando no terceiro dos homens, e conseguimos perder a quarta partida fora de casa em quatro jogos na Libertadores 2013. Sou do tempo em que éramos campeões dessa competição vencendo todas no Morumbi e empatando ou ganhando fora. No máximo, uma derrota na casa do adversário após golearmos em casa. Mas paciência. Futebol é assim e não perdemos para qualquer time, mas para o quarto colocado do portentoso Campeonato Boliviano, disputado por 12 agremiações. Juvenal, passa a régua! Hoje foram três cervejas (difíceis de descer).

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Atlético (MG) 5 x 2 Arsenal (ARG)


Libertadores da América 2013
1ª fase / Grupo 3
Quarta-feira, 3 de abril de 2013
Estádio Independência (MG)

É, amigos, apesar de torcer para a Caldense em Minas, ontem acordei Atlético Mineiro desde criancinha. E o motivo era simples: qualquer resultado que não fosse a vitória do Galo, de preferência de goleada, dificultaria muito a vida do São Paulo na Libertadores. Com isso, faço questão de chamar o XI atleticano a campo, nome por nome:

No gol, Victor, o maior guarda-redes já nascido em Santo Anastácio; na lateral-direita, Marcos Rocha, o erudito que, com este nome, vai virar escritor de livro infantil assim que se aposentar, no miolo de zaga, Leonardo Silva, o intransponível, e Réver, o melhor zagueiro do Brasil,
quizás, da Via Láctea, e na lateral-esquerda, Richarlyson, aquele que um dia o Muricy achou que o São Paulo fosse ele e mais 10; na meia cancha, Pierre, o incansável, Leandro Donizete, o magnânimo, Ronaldinho Gaúcho, o Messi brasileiro, e Luan, que não é o Santana mas tem futebol pra concorrer ao Grammy; no ataque, Diego Tardelli, a maior recontratação da história do futebol brasileiro, e Jô, simplesmente algo entre Dadá Maravilha e Reinaldo. No banco, Cuca, o maior montador de times desde Luís Alonso Pérez, o Lula, responsável pelo esquadrão santista dos anos 1960.


EFE

Com uma escalação dessas, não por acaso o Atlético é o único time com 100% de aproveitamento na Libertadores e está invicto no Estádio Independência, no Horto, desde abril do ano passado. Mas vamos ao jogo.Em menos de dois minutos, Ronaldinho já havia recebido duas bolas na área. Tentou chutar a primeira e ajeitar de peito para um companheiro a segunda. Aos cinco, Ortiz tocou para Carbonero, na direita, que fuzilou o travessão do guarda-redes atleticano. Tardelli se movimentava muito e buscava jogo no meio. Aos oito, Ronaldinho fez sua primeira jogada de efeito, tocou para Tardelli, mas o lance não resultou em nada. Televisão mostra Bernard, espetacular atacante do Atlético que não jogou por estar contundido, na tribuna brincando no Twitter (#Caiu no horto tá morto – DUARTE, Bernard).Aos dez, em contra-ataque mortal (e ensaiado) iniciado na intermediária do Atlético, Réver deu um chutão para Jô, que desviou de cabeça para Tardelli disparar em alta velocidade e abrir o placar tocando no canto direito do goleiro Campestrini. Galo, fulminante, 1 a 0.

Aos 12, Réver repetiu o chute, Jô repetiu o desvio de cabeça e a bola sobrou para Luan, que avançou e foi tocado fora da área. Repetindo em portunhol:
fuera de la área. O assistente paraguaio correu para a linha de fundo e o juiz foi na dele, marcando pênalti. Ronaldinho ajeitou com carinho e bateu forte, no alto, sem chance para Campestrini. Galo 2 a 0 em menos de 15 minutos – ótimo resultado para o São Paulo. Sapequei a primeira cerveja em agradecimento. Geladíssima por sinal.

O Arsenal tentou responder com Carbonero, que escapou pela direita e sofreu falta de Leandro Donizetti. Amarelo. Na cobrança, cabeçada por cima de Braghieri, que reclamou puxão de camisa de Réver. Aos 20, após boa jogada entre Leonardo Silva e Ronaldinho, Luan concluiu sem perigo. Aos 22, Tardelli recebeu ótimo lançamento, chegou antes do zagueiro, mas sentiu a coxa direita. Foi substituído por Araújo.

O jogo esfriou. Sem a movimentação de Tardelli e vencendo por 2 a 0, o Galo diminuiu o ritmo e os dois times passaram a errar passes e fazer faltas bobas. A única boa opção ofensiva do Arsenal era o colombiano Carbonero pela direita.

Ronaldinho reapareceu aos 32, quando passou por um zagueiro, pelo segundo, mas o chute foi travado. Jô, um gigante (literalmente), continuava ganhando todas pelo alto. Aos 34, Ronaldinho tentou um lançamento que saiu pela linha de fundo. Era o retrato daquele momento. Abri a segunda cerveja para não cair no sono. Não adiantou. Aos 39, com o Galo visivelmente dormindo, Carbonero cruzou da direita, a bola foi ajeitada de cabeça para Braghieri, que também de cabeça mandou por baixo das pernas do goleiro Victor. Galo 2 a 1.


Antes do primeiro tempo acabar, Ronaldinho e Marcone se desentenderam, depois foi a vez de Ortiz e Leandro Donizete, e assim que o árbitro apitou, a coisa ficou generalizada, envolvendo os jogadores dos dois times, comissão técnica argentina, policiais militares, seguranças do Atlético, anões de jardim, ogros, mulheres barbadas...


Nervos acalmados, o segundo tempo começou com o Arsenal no ataque. Perderam a bola, que foi aberta pela direita e chegou no pé do Ronaldinho, na meia-lua. Ele dominou com classe e deu ótimo passe para Jô, que cruzou para Luan bater pro fundo da rede. Amigos, não tínhamos nem um minuto e meio de jogo. Galo 3 a 1 e o Tricolor respira aliviado. A pergunta, a essa altura, era se o Atlético repetiria o 5 a 2 do primeiro turno. A ver.


Aos cinco, Ronaldinho quase faz um golaço após ótima troca de passes no ataque, que inclui mais uma grande jogada de Jô, que está fazendo o papel de pivô como ninguém (praticamente um Tim Duncan dos Spurs). O Arsenal tentou apertar, mas sem muita eficiência. Benedetto, que é perigoso mas anda contundido, entrou no lugar de Martín Rolle. O careca se movimenta bem no ataque.


Mas aos 13...


ENTER

ENTER
ENTER

Três ENTER´s em homenagem à pintura que vem a seguir.


Aguirre errou feio no meio e deu contra-ataque para o Galo. Araújo achou Ronaldinho livre na direita, que deu um toque genial colocando a pelota na forquilha direita do goleiro argentino. Detalhe: nove entre dez jogadores tentariam bater cruzado, mas ele fez o oposto, pegando Campestrini de surpresa. Gol de craque, de quem conhece, que mereceu a terceira cerveja da jornada.


Jô Duncan quase fez o quarto aos 16, em um chutaço de fora da área. Ele continuava tão mortal na jogada aérea que, no minuto seguinte, em lance na área atleticana, acertou o próprio companheiro com a cabeça. Especialista.

O Galo jogava bem e dava show. Mérito do Cuca, que acalmou o time e fez Luan se apresentar mais para o jogo, como Tardelli vinha fazendo no primeiro tempo. O futebol dele cresceu, assim como o do time. E Ronaldinho, comendo a bola, desfilava seu repertório de futebol de salão. Torcida, em êxtase, já aos 23 gritava “Olé” (num desses um argentino caiu sentado).


O Arsenal, aguerrido, tentava chegar no ataque, mas sem perigo, enquanto que o Atlético, saindo no contra-golpe, levava perigo.


Aos 39, em falta para o Arsenal na esquerda, Benedetto acertou um canudo que estourou na trave e morreu no fundo da rede. Golaço! Os argentinos não se entregaram, mas ainda viram Alecsandro, que havia entrado no lugar do Duncan, dar um drible desconcertante e acertar um belo chute de fora da área, aos 47. Outro golaço que mereceu a quarta gelada, apesar da dança do lek lek na comemoração. Estava repetido o 5 a 2 do jogo na Argentina.


Depois que o juiz apitou o final da partida, quebra-pau generalizado entre a despreparada Polícia Militar, que não tem que apontar arma nenhuma para jogador, e os argentinos, que apesar da marcação do pênalti que resultou no segundo gol, não tinham do que reclamar com o árbitro. Perderiam na bola da mesma maneira.


No frigir do ovos, obrigado, Atlético Mineiro, o melhor time de todos os tempos até 17 de abril. Agora é com o São Paulo, que hoje tem a obrigação, na altitude, de mostrar quem realmente é The Strongest (trocadilho opcional). E as quatro cervejas refletiram bem o show atleticano.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Paris Saint-Germain 2 x 2 Barcelona

Liga dos Campeões 2013
Quartas de final
Terça-feira, 2 de abril de 2013
Parque dos Príncipes, Paris (FRA)

Jogando no Parque dos Princesos, em Paris, o Barcelona foi a campo com aquele uniforme “Tintas Suvinil” de gosto altamente duvidoso, que começa amarelo em baixo e termina laranja em cima, passando por um degradê bem ao estilo Hans Donner. Feio.

Messi e Xavi (de pênalti) marcaram para os catalães. Ibrahimovic (impedido) e Matuidi anotaram os gols franceses
Getty Images

A partida começou com os espanhóis (catalães, se preferirem) no tradicional cozimento do adversário no campo inimigo. Mas quem chegou primeiro foi o PSG. Aos 4 minutos, Lavezzi acertou a trave após bom passe de Ibrahimovic para Pastore, que ajeitou para o argentino. Torcida, de maneira francesa (seja lá o que isso significa), incendiava o estádio.

O Barça chutou pela primeira vez aos 8 minutos, com Xavi de fora da área. Passou longe. A resposta do PSG veio com Lavezzi, impedido, após ótima enfiada de Lucas. De fora da área, Pastore queimou e Valdés segurou em dois tempos (termo bacana para dizer que o guarda-redes não pegou na primeira mas se recuperou na segunda). Iniesta respondeu com belo tapa que passou perto. No minuto seguinte, é a vez de Ibra matar no peito, avançar e sofrer falta do Shakiro (Piqué), que levou amarelo. Na cobrança do próprio Ibra, Valdés espalmou para escanteio. Já o Barça chegou com Messi e depois com Iniesta.

Aos 23 (sim, ainda estamos nos 23, o jogo era muito bom), Lucas fez boa jogada pra cima de Alba e o estádio passou o gritar seu nome. Minha dúvida foi a maneira como pronunciaram, se mantiveram o “s” no final, “Lu-cas Lu-cas”, ou se afrancesaram a graça do brasileiro e ficaram no “Lu-ca Lu-ca” (com biquinho, é claro). De casa, não identifiquei.

Melhor do PSG na primeira etapa, Lucas criou bons lances com Ibra e Lavezzi, mas os dois não conseguiram abrir o placar (o primeiro, inclusive, estava bem descalibrado - lembrando muito os atacantes do Flamengo). Até que aos 38, em cobrança de escanteio, a bola sobrou para Daniel Alves, na intermediária, que acertou um lançamento e-p-e-t-a-c-u-l-a-r de três dedos para Messi que, próximo à pequena área, bateu cruzado e abriu o placar. Barcelona 1 a 0 e fui obrigado a sapecar a primeira cerveja na geladeira em homenagem à trivela do lateral brasileiro (que diga-se de passagem fez grande partida). Aos 41, Messi quase fez o segundo ao receber de... Daniel Alves, cortar para o meio e bater com muito efeito.

Fim da primeira etapa e a dúvida era se Messi voltaria, pois vinha sentindo dores. Não voltou. Fábregas entrou em seu lugar, fazendo o Barcelona mudar do modo “Barcelona” para o modo “Seleção Espanhola”.

Perdendo em casa, os franceses subiram a marcação e apertaram a saída de bola catalã. Mas não por muito tempo. Aos 4, Fábregas arriscou e a bola foi para escanteio. Em seguida, Matuidi tentou afastar a redonda da única maneira que não se deve: para o meio da zaga. Ela sobrou para Busquets chutar da entrada da área, mas Sirigu defendeu. No lance seguinte, em bom ataque do PSG, o mesmo Matuidi recebeu a bola, adiantou de mais e, com Mascherano à sua frente, tentou atravessar o argentino pelo meio, estilo Ghost. Patético! Levantei e fui buscar a segunda cerveja.

O jogo ficou amarrado com o Barça tocando a bola no campo adversário e o PSG tentando roubá-la para sair na velocidade. O PSG chegou duas vezes, mas a pressão do Barcelona era mais forte.

Ah, deixa eu contar pra vocês. Beckham, que pelo futebol jogado deveria atuar ao lado do Del Pierro no Sydney F.C., estava em campo. Aos 22 minutos, em seu primeiro grande lance, ele dominou mal a bola na entrada da sua área e foi obrigado a fazer falta em Sanchéz. Amarelo para o marido da Victoria e perigo para o gol do PSG. Dois minutos depois, findava-se sua grande atuação ao ser trocado por Verratti.

Os franceses se soltaram e aos 31, em posição regular, uma vez que dois jogadores do Barcelona haviam se chocado de maneira bizonha e estavam caídos dando condição para o ataque do PSG, Ibra perdeu um gol cara a cara com Valdés. Dois minutos depois, totalmente impedido, o “suécio” aproveitou rebote da cabeçada de Thiago Silva, que estourou na trave, e desta vez empurrou para a rede. Reforçando: im-pe-di-da-ço. Empate em 1 a 1 que recolocava o PSG na peleja.

O jogo, mais uma vez, ficou amarrado. Daniel Alves e Ibra levaram amarelo, Mascherano deixou o gramado arrebentado... até que aos 42, após toque genial de calcanhar de Fábregas (merecedor da terceira cerveja), Sanchéz recebeu na área e, louco para sofrer o penal, foi tocado por Sirigu. O juiz marcou. Xavi, com extrema categoria, cobrou no canto esquerdo do guarda-redes fazendo 2 a 1 Barcelona. Placar que daria uma nababesca vantagem para o time catalão, não fosse, aos 48, o belo lançamento de Lucas para o lateral-direito Jallet, que cruzou para Ibra ajeitar de primeira para Matuidi (ele mesmo!), que chutou da entrada da área pegando Valdés no contra-pé. O Parque dos Princesos foi à loucura.

No final, milionário Paris Saint-Germain 2 a 2 com o poderoso Barcelona, numa grande partida de futebol. Repito: gran-de-par-ti-da-de-fu-te-bol. Antes de passar a régua, ainda sapequei mais uma cerveja para baixar a adrenalina. Quatro gols e quatro cervejas, tão justos quanto o placar. O jogo de volta acontece na próxima terça, no Camp Nou, e o Barça tem tudo para confirmar a classificação. A esperança do PSG está na 
(acreditem, é horrível escrever isso) contusão do Messi, que deverá ficar algumas semanas parado.

Saúde ao bom futebol!

Post teste - Bangu 1 x 2 Flamengo


Campeonato Carioca 2013

3ª Rodada da Taça Rio
Quarta-feira, 27 de março de 2013
Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ)

O time de Moça Bonita, mandando o jogo em Volta Redonda (não me perguntem o motivo), foi a campo com Getúlio Vargas (homenagem ao estadista ou ao ditador?), Celsinho, Raphael, Carlos Renan e Bruno Santos; Ives, André Barreto, Mayaro (tremendo nome) e Eudes; Sérgio Júnior e Hugo (capilarmente falando, um genérico do Neymar).

Já o Flamengo, que não vencia há 3 partidas, entrou com Felipe, Luiz Antonio, Alex “Pirulito” Silva, Wallace e João Paulo; Amaral, Elias (ele mesmo, ex-Corinthians), Carlos Eduardo e Gabriel; Rafinha e Hernane (no primeiro turno, considerado melhor do que o Obina e o Eto´o, juntos. Passou.).

Bola rolando e o Flamengo inteiro no ataque. Passaram-se um, dois, três minutos e o Bangu não conseguia, sequer, passar do meio-campo. Na primeira descida, Bangu 1 a 0. Sério. Mayaro (ainda vou entender esse nome) tocou para o genérico do Neymar (capilarmente falando), que tabelou com Sérgio Júnior, invadiu a área e tocou para o mesmo Sérgio Júnior abrir o placar. A zaga rubro-negra não viu nada.

A partida continuou na mesma, com o Flamengo jogando no campo do adversário. Perdeu duas oportunidades não muito claras de gol. Na sequência, Hugo, num rápido contra-ataque, quase ampliou para o Bangu, no que seria um claro reflexo do “efeito Mirassol” (caso não saibam o que é, perguntem a um palmeirense). Aos 14, em uma saída de bola horrível, Gabriel recebeu de Hernane na entrada da área e, tentando tirar do goleiro, tirou dele, do gol, da placa de publicidade... foi feio. O Fla apertou ainda mais a marcação e balançou a rede aos 16 minutos, lance corretamente anulado pela Alessandra, auxiliar e gata, que viu três jogadores impedidos.

Fantasmas do Engenhão sobrevoaram o estádio Raulínio de Oliveira e as luzes começaram a falhar. Dos 128 refletores, 37 apagaram. Somados aos 11 jogadores do Flamengo, tínhamos um cenário não muito animador. Pior. O time da Gávea, na primeira metade do primeiro tempo, acumulava 76% de posse de bola contra 24%. Imaginem um time sem a menor inspiração comandando ¾ das ações do jogo. Era praticamente um Barcelona (de Guaiaquil).

Aos 31, Rafinha se chocou com Mayaro e se ensanguentou tanto que voltou a campo com uma touca de natação. Juro! Eu nunca tinha visto isso. Era uma mistura de César Cielo com Patrícia Amorim (ops, isola). Enciumado, o goleiro Felipe fez uma ponte absolutamente desnecessária em um chute de Mayaro, somente para sair na foto. Conseguiu. Já aos 41, Gabriel perdeu mais um gol. Se a trave fosse uns cinco metros para a esquerda, o resultado do primeiro tempo teria sido 2 a 1 para o Fla, com dois gols do Gabe.

Na segunda etapa Jorginho mexeu bem e o Flamengo voltou melhor. Logo no primeiro minuto Gabriel disparou um foguete para GV espalmar. Aos 3, Gabriel, sempre ele, fez boa jogada e deu um chute horroroso. O Bangu só chegou com algum perigo aos 19. No minuto seguinte, Rodolfo, que havia entrado no lugar do invisível Carlos Eduardo, recebeu na entrada da área e mandou um petardo indefensável na forquilha direita do GV, exatamente onde a coruja faz o ninho. Ela passa bem. 1 a 1 em Volta Redonda.

Aos 23, com a entrada de Nixon no lugar de Hernane, a coisa ficou ainda mais presidenciável, só não sabendo se para o suicídio ou para o impeachment. Aos 24, o zagueirão banguense fez um corta-luz dentro da própria área. Pior, com um adversário atrás. No caso, Rodolfo, que isolou pra fora em um lance claríssimo de gol. Pressãozinha rubro-negra. O máximo que o Bangu fazia era tentar chamar o Hugo (sem trocadilho), que ficava aberto para puxar os contra-ataques. Muito pouco. Aos 35, num momento histórico que só o futebol brasileiro proporciona, Nixon ficou cara a cara com Getúlio Vargas. Mandou por cima. Até que aos 41, com toda justiça, o lateral-esquerdo João Paulo cobrou falta, que desviou em Ives e morreu no fundo da rede. Festa total entre os jogadores, Jorginho, a torcida no estádio, os vizinhos histéricos que acabaram acordando a minha mulher, a imprensa flamenguista, enfim, Mengo 2 a 1 no Bangu, que subiu para a quarta posição do grupo B. Bangu caiu pra sétimo. E viva a terceira rodada do segundo turno do primeiro Campeonato Carioca sem estádio.