1ª fase / Grupo 3
Quarta-feira,
17 de abril de 2013
Estádio do Morumbi (SP)
Com o futebol que São Paulo e Atlético Mineiro vinham
jogando, uma vitória do Tricolor diante do Galo, mesmo atuando no Morumbi, não
estava entre as predileções mais prováveis. Pior. Tendo ainda que torcer para uma
vitória ou empate do Arsenal diante do The Strongest, na Argentina, para chegar
às oitavas de final da Libertadores, não é exagero afirmar que a missão do São Paulo
estava mais para “À Espera de um Milagre” ou "A Volta dos Mortos Vivos". Eu, que moro no Rio, fiz a minha parte, como podem ver abaixo.
Bola rolando e Cristiano Osvaldo (sim, hoje só me
refiro ao jogador como Cristiano Osvaldo ou CO17) dispara pela
esquerda. Leonardo Silva barra nosso velocista com falta. Galo chega primeiro
com Jô, que dribla bem e quase sai na cara do gol. A resposta do São Paulo veio
com Aloísio, que balança a rede, impedido (“um, dois, três, testando, um, dois,
três, testando...”). O jogo é tenso e Paulo “Michael Clarke Duncan” Miranda, o
mais contestado do time, tira duas bolas, uma de cabeça e outra no chutão,
mostrando segurança. Ótimo presságio.
Dez minutos e amarelo para Richarlysson. Cartão
importante, pois “Ricky” amarelado é sempre uma potencial avenida para atacarmos.
Em jogada de Ronaldinho pelo meio, Douglas e Tolói fazem marcação implacável,
enquanto que Paulo Miranda tira mais uma de cabeça. Quinze minutos e o jogo é
de xadrez, sem espaço pra ninguém respirar. Tanto que o primeiro chute do São
Paulo é com Denílson, aos 18, de fora da área. O Tricolor não usa as laterais para
atacar, muito menos faz jogadas de linha de fundo, amarrando o jogo. Mas aos
29, GOOOOLLLLL do Arsenal, na Argentina, comemorado como se fosse nosso. Corri
para abrir a primeira cerveja.
Aloísio é o retrato do São Paulo, dá carrinho, se
joga, acredita em todas, chama a torcida... é o Boi Bandido. Dupla de volantes dá
a proteção à zaga que não vinha fazendo, Douglas cumpre função tática crucial e
Ganso é o cara pra fazer a bola correr com qualidade. Depois de um primeiro
tempo extremamente tenso (pelo menos pra nós), Ronaldinho fala em se divertir mais
na segunda etapa. Neste momento, versão pagode de “Girls Just Want To Have Fun” começa a ser executada
nas profundezas do inferno futebolístico.
Primeiro lance perigoso do segundo tempo é de Carleto,
que tenta cruzar aos quatro minutos e quase coloca na forquilha. Victor espalma.
Jogo continua truncado e alguém precisa errar para o adversário chegar. Obrigado,
Atlético, que vacila no meio e a bola é esticada para Cristiano Osvaldo, na
direita, que deu toque primoroso para Aloísio dominar e ser puxado dentro da área.
Regra 14, amigos. PENALIDADE MÁXIMA para “Rô-gé-riô! Rô-gé-riô! Rô-gé-riô!”.
A cobrança é tão xadrez como vinha sendo o jogo.
Passos curtos de um lado e goleiro imóvel do outro. Rogério espera Victor se
mexer, que espera o nosso capitão bater. Só quando Rogério estava em cima da
bola que Victor opta pelo canto direito. O capitão bate no esquerdo. Tricolor 1 a 0 para delírio de 50 mil torcedores.
Jogadores vibraram muito. Praticamente ao mesmo tempo, numa espécie de universo
paralelo do futebol, GOOOOLLLLL do Arsenal, na Argentina. Furch ampliou para
2 a 0 e matou o The Strongest. Furch them! Corri
para a geladeira e a segunda cerveja desceu como há tempos não descia.
Jogo continua truncado e Rogério Ceni se machuca. Passa alguns
minutos e cai novamente. Não gosto dessas paradas longas, mas logo lembro que ele
é muito mais experiente do que eu. Depois é a vez do Lúcio, o bravo e
eletrizante Lúcio, fazer o mesmo. Novamente lembro que ele também é muito mais
experiente do que eu e imagino ser o certo a fazer. Sigamos em frente.
Aos 32, o exausto Aloísio dá lugar para Ademilson. Em menos de cinco minutos, o menino, que tem Bispo no sobrenome, recebe passe açucarado de CO17, que havia
recebido passe de craque de Ganso, e dá um belíssimo tapa para o fundo da rede,
sacramentando a desacreditada classificação tricolor. Sapequei a terceira cerveja, Chimay, trapista
dos monges da abadia de Scourmont guardada para uma ocasião como esta. Ademilson
Braga Bispo Jr. foi tão predestinado que nem terminou a partida, saiu
contundido, chorando. Mas a graça já havia sido alcançada.
Na Argentina, terra do papa Chicão (qualquer alusão ao
nosso capitão na conquista de 1977 frente ao Galo não é mera coincidência), Arsenal
2 a 1 no
The Strongest. No Morumbi, São Paulo 2 a 0 no até então melhor time do torneio. Era
a redenção do Clube da Fé após comunhão total entre torcida, técnico
e jogadores (perdão, chega, eu paro com os hereges trocadilhos religiosos). Que venha o Galo!
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| A miraculosidade foi tanta que a camiseta se transformou, desbotou... |


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