Libertadores da América 2013
1ª fase / Grupo 3
1ª fase / Grupo 3
Quarta-feira, 3 de abril de 2013
Estádio Independência (MG)
No gol, Victor, o maior guarda-redes já nascido em Santo Anastácio; na lateral-direita, Marcos Rocha, o erudito que, com este nome, vai virar escritor de livro infantil assim que se aposentar, no miolo de zaga, Leonardo Silva, o intransponível, e Réver, o melhor zagueiro do Brasil, quizás, da Via Láctea, e na lateral-esquerda, Richarlyson, aquele que um dia o Muricy achou que o São Paulo fosse ele e mais 10; na meia cancha, Pierre, o incansável, Leandro Donizete, o magnânimo, Ronaldinho Gaúcho, o Messi brasileiro, e Luan, que não é o Santana mas tem futebol pra concorrer ao Grammy; no ataque, Diego Tardelli, a maior recontratação da história do futebol brasileiro, e Jô, simplesmente algo entre Dadá Maravilha e Reinaldo. No banco, Cuca, o maior montador de times desde Luís Alonso Pérez, o Lula, responsável pelo esquadrão santista dos anos 1960.
| EFE |
Aos 12, Réver repetiu o chute, Jô repetiu o desvio de cabeça e a bola sobrou para Luan, que avançou e foi tocado fora da área. Repetindo em portunhol: fuera de la área. O assistente paraguaio correu para a linha de fundo e o juiz foi na dele, marcando pênalti. Ronaldinho ajeitou com carinho e bateu forte, no alto, sem chance para Campestrini. Galo 2 a 0 em menos de 15 minutos – ótimo resultado para o São Paulo. Sapequei a primeira cerveja em agradecimento. Geladíssima por sinal.
O Arsenal tentou responder com Carbonero, que escapou pela direita e sofreu falta de Leandro Donizetti. Amarelo. Na cobrança, cabeçada por cima de Braghieri, que reclamou puxão de camisa de Réver. Aos 20, após boa jogada entre Leonardo Silva e Ronaldinho, Luan concluiu sem perigo. Aos 22, Tardelli recebeu ótimo lançamento, chegou antes do zagueiro, mas sentiu a coxa direita. Foi substituído por Araújo.
O jogo esfriou. Sem a movimentação de Tardelli e vencendo por 2 a 0, o Galo diminuiu o ritmo e os dois times passaram a errar passes e fazer faltas bobas. A única boa opção ofensiva do Arsenal era o colombiano Carbonero pela direita.
Ronaldinho reapareceu aos 32, quando passou por um zagueiro, pelo segundo, mas o chute foi travado. Jô, um gigante (literalmente), continuava ganhando todas pelo alto. Aos 34, Ronaldinho tentou um lançamento que saiu pela linha de fundo. Era o retrato daquele momento. Abri a segunda cerveja para não cair no sono. Não adiantou. Aos 39, com o Galo visivelmente dormindo, Carbonero cruzou da direita, a bola foi ajeitada de cabeça para Braghieri, que também de cabeça mandou por baixo das pernas do goleiro Victor. Galo 2 a 1.
Antes do primeiro tempo acabar, Ronaldinho e Marcone se desentenderam, depois foi a vez de Ortiz e Leandro Donizete, e assim que o árbitro apitou, a coisa ficou generalizada, envolvendo os jogadores dos dois times, comissão técnica argentina, policiais militares, seguranças do Atlético, anões de jardim, ogros, mulheres barbadas...
Nervos acalmados, o segundo tempo começou com o Arsenal no ataque. Perderam a bola, que foi aberta pela direita e chegou no pé do Ronaldinho, na meia-lua. Ele dominou com classe e deu ótimo passe para Jô, que cruzou para Luan bater pro fundo da rede. Amigos, não tínhamos nem um minuto e meio de jogo. Galo 3 a 1 e o Tricolor respira aliviado. A pergunta, a essa altura, era se o Atlético repetiria o 5 a 2 do primeiro turno. A ver.
Aos cinco, Ronaldinho quase faz um golaço após ótima troca de passes no ataque, que inclui mais uma grande jogada de Jô, que está fazendo o papel de pivô como ninguém (praticamente um Tim Duncan dos Spurs). O Arsenal tentou apertar, mas sem muita eficiência. Benedetto, que é perigoso mas anda contundido, entrou no lugar de Martín Rolle. O careca se movimenta bem no ataque.
Mas aos 13...
ENTER
ENTER
ENTER
Três ENTER´s em homenagem à pintura que vem a seguir.
Aguirre errou feio no meio e deu contra-ataque para o Galo. Araújo achou Ronaldinho livre na direita, que deu um toque genial colocando a pelota na forquilha direita do goleiro argentino. Detalhe: nove entre dez jogadores tentariam bater cruzado, mas ele fez o oposto, pegando Campestrini de surpresa. Gol de craque, de quem conhece, que mereceu a terceira cerveja da jornada.
Jô Duncan quase fez o quarto aos 16, em um chutaço de fora da área. Ele continuava tão mortal na jogada aérea que, no minuto seguinte, em lance na área atleticana, acertou o próprio companheiro com a cabeça. Especialista.
O Galo jogava bem e dava show. Mérito do Cuca, que acalmou o time e fez Luan se apresentar mais para o jogo, como Tardelli vinha fazendo no primeiro tempo. O futebol dele cresceu, assim como o do time. E Ronaldinho, comendo a bola, desfilava seu repertório de futebol de salão. Torcida, em êxtase, já aos 23 gritava “Olé” (num desses um argentino caiu sentado).
O Arsenal, aguerrido, tentava chegar no ataque, mas sem perigo, enquanto que o Atlético, saindo no contra-golpe, levava perigo.
Aos 39, em falta para o Arsenal na esquerda, Benedetto acertou um canudo que estourou na trave e morreu no fundo da rede. Golaço! Os argentinos não se entregaram, mas ainda viram Alecsandro, que havia entrado no lugar do Duncan, dar um drible desconcertante e acertar um belo chute de fora da área, aos 47. Outro golaço que mereceu a quarta gelada, apesar da dança do lek lek na comemoração. Estava repetido o 5 a 2 do jogo na Argentina.
Depois que o juiz apitou o final da partida, quebra-pau generalizado entre a despreparada Polícia Militar, que não tem que apontar arma nenhuma para jogador, e os argentinos, que apesar da marcação do pênalti que resultou no segundo gol, não tinham do que reclamar com o árbitro. Perderiam na bola da mesma maneira.
No frigir do ovos, obrigado, Atlético Mineiro, o melhor time de todos os tempos até 17 de abril. Agora é com o São Paulo, que hoje tem a obrigação, na altitude, de mostrar quem realmente é The Strongest (trocadilho opcional). E as quatro cervejas refletiram bem o show atleticano.
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